domingo, 23 de julho de 2023

As teorias do caso Jennifer Fairgate no quarto 2805

 

Desenho do rosto de Jennifer Fairgate
Nunca fui um fanático por True Crime, até gosto de ver ou ouvir um caso ou outro, mas depois de me deparar com esse episódio na Série Mistérios Sem Solução da Netflix, fiquei obcecado por essa história.

História essa, que não contarei aqui, além do episódio citado acima, existe um trabalho espetacular de passo a passo de absolutamente tudo que foi investigado, pelo jornalista norueguês Lars Christian Wegner, no qual deixo o link abaixo para caso queiram ver um material bem mais completo que o episódio da Netflix.

Lars Wegner

https://www.vg.no/nyheter/innenriks/i/xRjoWp/mystery-at-the-oslo-plaza

A intenção deste artigo é mencionar as teorias mais prováveis, este caso quase não tem respostas para as inúmeras perguntas, mas é um mistério tão fascinante que nos traz várias especulações interessantes, como mencionei antes, esse mistério me deixou obcecado, após ver o episodio da Netflix, o site do jornalista, seu documentário que está lá também, passei a ver fóruns gringos, e até criei uma conta no Reddit pra debater com outros inconformados do mundo inteiro como eu. A primeira teoria abaixo, é a menos aceita por todos:

 JENNIFER DEU FIM A SUA PRÓPRIA VIDA

Não acredito que essa seja uma teoria que deva ser totalmente descartada, das poucas certezas que há neste caso, é a sua origem, o DNA indicou que Jennifer nasceu entre 1970 e 1971, na Alemanha Oriental, também  há o fato do atendente que fez a reserva por telefone, que dizia que ela tinha um sotaque da Alemanha Oriental e na segunda ligação até pediu para falar em alemão. Então, Jennifer veio de um país que em 1995 era controlado de uma forma bem desorganizada, que vivia em conflitos e sem rastros digitais como os dias de hoje, desaparecimento de pessoas era algo mais comum.

 Portanto Jennifer pode ter sido uma pessoa solitária, sem muito contato com outras pessoas, sem familiares vivos, o que facilitaria o fato de não ter ninguém que sentisse sua falta. Por inúmeros motivos possíveis, ela decide que sua vida deveria terminar e escolhe Oslo e um hotel 5 estrelas para o local de seu fim. Passa 3 dias se livrando de seus rastros e após receber a terceira mensagem no televisor para comparecer á recepção, apenas espera que o hotel vá até seu quarto para que ela desse o tiro fatal em sua testa. Eu sei que é bem difícil explicar a forma que a arma estava segura e que também não havia sangue nem pólvora nas suas mãos, mas não havia sinais de luta, os dois cartões-chaves estavam no quarto e não havia um só indício que outra pessoa além de Jennifer esteve ali em algum momento. É frustrante aceitar essa teoria, mas até hoje é a oficial.

Arma segura em sua mão ao ser encontrada 



Única foto de Jennifer Fairgate
É importante dizer que toda teoria tem suas pontas soltas, independente de qual você escolha ou acredite que seja a verdadeira, ela terá pontos a serem refutados, mas a próxima é a mais aceita entre os estudiosos deste caso:

JENNIFER ERA UMA AGENTE SECRETA E OU ESPIÃ

Recentemente este caso completou 28 anos, portanto, até o momento, Jennifer mantém sua identidade e história, completamente secretas. Isso conspira para que essa teoria seja tão aceita por muita gente, mas há algumas outras situações que contribuem pra isso. 

Jennifer estava com uma arma com numeração de registro raspada, não tinha etiquetas em suas roupas, ficou fora do quarto por mais de 20 horas seguidas, se hospedou com um nome falso, mencionou um endereço falso de residência, usava um corte de cabelo discreto, que fazia com que passasse desapercebida mais facilmente, foi vista pouquíssimas vezes pelos funcionários do hotel.

Na série da Netflix, Ola Kaldager, agente de Inteligência da Noruega que trabalhou em vários casos de conflitos pelo mundo, citou que acredita que foi uma execução muito bem feita por um serviço secreto, que o fato de Jennifer ter ficado fora por quase 20 horas e a forma que foi encontrada no quarto, exclui totalmente a possibilidade dela ter dado fim a própria vida. Entende também que tudo neste caso é bem bizarro, mas que a ausência de todos os rastos somada a cena impossível de manter a arma segura em sua mão após o disparo, só dá ênfase a essa teoria. Possivelmente as duas ou mais organizações envolvidas se mantiveram caladas, e que o  governo do país do qual prestava serviço, procurou a família lhe dando conforto financeiro vitalício para se manterem em silêncio também.

Eu aceito essa teoria, mas me causa estranheza o simples fato de Jennifer não ter pago sua estadia, ela até tinha dinheiro no momento em que pediu serviço de quarto, dando uma gorjeta alta para a funcionária que levou a comida que pediu, mas porque sendo uma agente secreta, não pagou nada? Pra que chamar a tenção pra si dessa forma? O mais correto seria pagar de início ou pelo menos quando recebeu o primeiro chamado no dia seguinte que se hospedou. 

Ola Kaldager

A próxima teoria não é muito aceita em fóruns gringos que entrei, mas pra mim, ela é bastante aceitável também,

JENNIFER ERA UMA ACOMPANHANTE DE LUXO OU DE TRÁFICO SEXUAL

Se atualmente com a tecnologia quase 30 anos mais avançada, ainda existe muito tráfico de pessoas, no qual saem de vários lugares do mundo para Europa e Eua, imaginem nos anos 90, onde era muito mais fácil cobrir rastros, não existiam câmeras nas ruas, redes sociais, a única interação do mundo ainda era o telefone.

Essa teoria é que Jennifer era uma escrava sexual de alguma organização criminosa, que foi até a Noruega com essa finalidade, e o Lois, que segundo a recepcionista, estava com ela no Check in, era o cara que a levava aos encontros secretos. Lembrando de novo que segundo o cartão-chave, Jennifer passou quase 20 horas seguidas ausente do quarto. E por algum motivo, algo ocorreu neste tempo e decidiram executá-la ali mesmo sem deixar rastros. 

Desenho de Jennifer de corpo inteiro

A próxima teoria, faz mais sentido para quem não ficou preso somente ao episódio da Netflix e viu o passo a passo no portal VG feito pelo jornalista Lars Wegner.

BRIGA FATAL DE NAMORADOS

É possível que Jennifer fosse uma golpista, criminosa, ou algo do gênero, pois desde o início deu informações falsas no próprio cartão que se hospedou.e na reserva, mencionou que ela se hospedaria com Lois Fairgate, dando a entender que se tratava de um casal.

Recomendo que vejam o passo a passo no link que postei no início deste artigo, pois lá Lars Wegner publica o Layout do andar em que Jennifer estava hospedada, no qual tinha um formato de U, com corredor ligando os quartos e o Hall dos elevadores. Lars descobriu todas as pessoas que estavam hospedadas nos mesmos dias que Jennifer no mesmo andar, exceto um único quarto do corredor  do lado oposto ao de Jennifer. 
Uma mulher que estava hospedada ao lado deste quarto, mencionou que um dia antes do ocorrido, ouviu uma discussão alta vinda do quarto ao lado, inclusive barulhos estranhos como de algo sendo arremessado, quando levantou para ligar para a recepção, a discussão e os barulhos pararam e ela voltou a dormir.
Outra coisa, um jornal, entregue neste quarto foi encontrado no quarto de Jennifer, pode ter sido entregue errado? Sim, mas pouco provável se tratando de um hotel de luxo, num andar que abrigava os quartos mais caros e consequentemente os hóspedes mais ricos.

O que podemos especular com tudo isso? Jennifer e Lois eram dois namorados e se hospedaram com nomes falsos, com a intenção de saírem sem pagar mesmo, afinal, eles fizeram isso tão bem, que até hoje, ninguém sabe quem eram, no caso de Lois, nem sequer o viram depois do check in. 
Depois de uma eventual briga do casal, Lois decide executar Jennifer, como não fizeram nenhum teste toxicológico em Jennifer, pode ter dado algum sedativo para que ela não resistisse á ofensiva e ele pudesse dar o tiro de teste no travesseiro e quando ouviu o bater da porta, ter dado o tiro em sua testa, já com Jennifer desacordada. Essa tese dela estar desacordada no momento do disparo, é citada pelos peritos que foram entrevistados na série da Netflix, uma vez que ela não parece ter resistido e nem ter atirado em si mesma. Lois no intervalo dos 15 minutos após o disparo e a chegada dos seguranças, só teve tempo para levar tudo que poderia para o seu outro quarto e deixou o que não conseguiu levar como jaquetas, perfume, um par de sapato e quatro sutiãs.

Cartão preenchido por Jennifer com os dados falsos 


Foto de Jennifer como foi encontrada

Quarto 2805


Um caso maluco e intrigante como esse, pode facilmente levar até a próxima teoria

MENTIRAM PRA NÓS

Uma sequência de situações improváveis que levam a um caso real parecer de ficção.

Oficialmente Jennifer se hospedou no hotel mais luxuoso de Oslo, onde abrigava Rockstars, Popstars, diretores e atores de mais alto prestígio de Hollywood, políticos  de diversos lugares do mundo... e apenas preencheu uma ficha sem pagar nada e sem apresentar nenhum documento? Ah, era um dia atípico de greve de alguns serviços públicos de Oslo, a recepção estava uma loucura e a ordem era acabar rápido com a fila.

Ok, mas que coincidência enorme bem na hora que o segurança foi até o quarto bater na porta, ter acontecido o disparo né? Esse segurança não poderia ter ficado no andar e chamar reforço pelo rádio, escondido no compartimento que ficou quando ouviu o tiro?
Aliás, recepcionistas, camareiras, profissionais da limpeza falaram com o Lars Wegner, mas justamente este segurança se nega até hoje a falar com qualquer órgão de imprensa.

E o hotel, não poderia por bem, ter dado uma olhada nas câmeras, de certo o sistema deveria ser bem arcaico comparado aos dias de hoje, mas deveria ter algum VHS que pudesse mostrar se houve alguma atividade anormal naquele corredor. Por que será que a polícia sequer se interessou a checar tal situação? Fizeram de tudo pra concluir que foi um caso de atentado á própria vida, mesmo com Jennifer segurando a arma daquela forma estranha e sem sangue nas mãos. Só consideraram outra coisa, quando não conseguiram identificar a mulher do quarto 2805

Teria ocorrido um conluio do Hotel com a polícia da época?

Plaza Hotel atualmente (Até mudou de nome)



A última teoria deste artigo é a que inexplicavelmente foi ignorada no episódio da Netflix

SENHOR F. E A BÉLGICA

A Bélgica está presente em três situações nesta investigação. No quarto que ficava de frente para Jennifer, estava hospedado um senhor que também usou o nome falso e foi chamado por Lars Wegner como Senhor F. Era belga e estava presente na sexta e no sábado, e fez check out antes do ocorrido do quarto 2805. Durante a difícil tentativa de contato, ele diz para o jornalista Lars Wegner que a recepção questionou se ele tinha ouvido algo vindo daquele quarto, que uma pessoa havia sido morta por lá. Mas o estranho nesta história é que de acordo com o seu cartão de check out , ele saiu horas antes do disparo. Seria impossível a recepção lhe perguntar sobre este caso. Fato é que o Senhor F quando foi questionado sobre isso, desconversou e nunca mais atendeu nenhuma solicitação sobre esse caso. Ainda sobre o Senhor F, há um fato curioso, Jennifer pediu comida na sexta-feira, dois dias antes do disparo, mas a recepção levou para o quarto do Senhor F. A recepcionista se desculpou e bateu no quarto 2805, sendo atendida por Jennifer, que lhe deu uma boa gorjeta. Não se sabe exatamente se o erro foi feito pela recepção, por Jennifer ou se foi o próprio Senhor F que pediu para Jennifer. Justamente o hóspede que ficava de frente pro quarto 2805, que também se hospedou com nome falso,  teve essas situações no mínimo curiosas? 

Tenho pra mim, que Senhor F conhecia Jennifer e de certa forma, já sabia que ela não sairia viva daquele quarto. 

As outras duas situações que trazem a Bélgica pra este caso são o cartão de registro que Jennifer cita sua residência, na cidade de Verlaine, cita inclusive um nome de rua existente numa cidade muito pequena como essa. Na noite anterior à sua morte, Jennifer liga para dois números que eram da região próxima á Verlaine. Lars Wegner foi até o local, tanto da cidade citada por Jennifer, quanto ao local que o número de telefone pertencia, mas não obteve êxito em encontrar alguém que pudesse conhecê-la.

Fato é que a Bélgica não era o país de origem de Jennifer, mas ela tinha algum tipo de ligação por lá, pode ter tentado telefonar para algum parente ou conhecido para pedir ajuda ou se despedir, mas as ligações que tentou fazer não completaram a chamada e nunca saberemos a real intenção destes dois telefonemas.

IA de imagem com visual diferente de Jennifer




Por fim duas situações interessantes para finalizar este artigo:

TEREMOS UM DESFECHO ALGUM DIA DESTE CASO?

Acredito que única chance de desvendar este mistério é através do banco de dados de DNA, cruzar informações com algum primo distante que esteja no banco de dados e começar a investigar a árvore genealógica, descobrir quem era Jennifer é o primeiro passo pra descobrir o que aconteceu no quarto 2805.

Outra imagem de IA com visual de Jennifer Fairgate



E por último...

ESSA PESSOA DA FOTO ABAIXO, NÃO É JENNIFER FAIRGATE

Quando este caso estourou na Netflix, um portal grande dos Eua ou da Inglaterra postou um artigo sobre o caso e incluiu a foto desta pessoa de forma incorreta. A partir daí tudo quanto é pesquisa que fazemos no google e youtube com o nome de Jennifer Fairgate, incluem esta foto. Mas essa foto é de Camila Steinaa, uma dinamarquesa que fazia parte do movimento punk e desapareceu no final dos anos 80. Foto de Jennifer Fairgate, são só as que ela já está morta, infelizmente, até hoje, não existe uma foto dela viva.

Camila Steinaa



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