sábado, 30 de dezembro de 2023

As Curiosidades Da Minha Genealogia pt3


A parte 3 será a última da linhagem do meu avô Joaquim. E essa de fato é a parte que mais me intriga nesse período de pesquisas. 
Já disse lá no meu primeiro texto deste blog sobre a mãe do meu avô, Ana Teodora Da Silva. Até tenho uma foto dela ao lado do meu bisavô Laurindo, inclusive está no primeiro texto que fiz aqui, mas ela está com uma péssima qualidade, mesmo usando app de melhorias, então o casal da foto são os pais de dona Ana, mas falo deles um pouco mais à frente. 

Dona Ana Teodora Da Silva, nasceu em 02 de Dezembro de 1918, na cidade de Batista Botelho, que veio mudar de nome na década de 30, passando a se chamar Óleo. Não localizei até o momento, sua data de casamento com seu Laurindo, mas o primogênito do casal foi o meu Avô Joaquim, que nasceu em Abril de 1934, então o casório deve ter sido uns meses antes. Tiveram 7 filhos lá em Óleo, mas passaram a maior parte da vida em Domélia, um povoado menor, mas próximo dali.  
Dona Ana morreu em 16/08/1984, morte súbita por insuficiência cardíaca. Eu era um bebê de pouco menos de 8 meses e infelizmente não me lembro dela, sei que ela me conheceu, mas infelizmente não tenho a memória a esse nível. Está enterrada no cemitério de Domélia, ao lado de seu marido. A única referência que me lembro de ouvir meu pai comentando, é que ela era brava, não sei exatamente o motivo de meu pai achar isso.

Ela era filha de Aureliano Theodoro Da Silva, meu Trisavô. Voltando a citar aquela conversa em vídeo entre meu bisavô, meu avô e meu pai, seu Laurindo (meu bisavô) cita Aureliano, ao ser questionado por meu avô Joaquim: -- "Ele era mineiro? Perguntou meu avô. --" Sim, o véio era mineiro." Mais uma relíquia que me ajudou a encontrar a origem de seu Aureliano, apesar de não ter a data nem de nascimento e nem de falecimento, em alguns documentos de seus netos, Aureliano nasceu em 1886, em Sacramento, Minas Gerais. A outra referência de Laurindo sobre seu sogro, é que ele era moreno escuro, "quase preto". Na foto em Preto e Branco que temos dele aí, não dá pra confirmar nem pra desmentir o que meu bisavô disse. 

Seu Aureliano era esposo de Jacinta Quintina, aí é onde nasce a minha tormenta. Minha Trisavó é de fato a situação mais intrigante que encontrei até agora nesse um ano e pouco de pesquisas sobre minha genealogia. 
É muito importante transcrever mais uma vez o diálogo dos meus antepassados, registrado em áudio e vídeo:
-- "O véio era mineiro, mas a minha sogra era italiana, veio da Itália mesmo." Diz meu bisavô Laurindo. Meu Avô Joaquim responde quase em cima da fala do meu bisavô: " -- Ela morreu aí." Meu bisavô surpreso responde: -- "Morreu aí? Achei que ela tinha morrido lá no Paraná, em Londrina." Meu pai Eduardo, gravando tudo entra na conversa também surpreso, mas por outra coisa: -- " A mãe da vó era italiana? "  --"Era" respondeu meu bisavô Laurindo ainda pensativo.. --" Então ela morreu aí.." Meu avô Joaquim corrobora: " -- "Ela morreu aí com a Dalina"  Meu pai Eduardo claramente sabendo da informação pela primeira vez ainda questiona ao meu Avô Joaquim: -- "Você conheceu ela, pai?" --Sim, conheci, tem foto dela em algum lugar aí." 
Antes do assunto mudar, seu Laurindo ainda fala que se admira como os irmãos de dona Ana morreram tudo jovem no Paraná, os nomes mencionados batem com toda a pesquisa no Family Search, onde os irmãos de dona Ana, Joaquim  e Balbino, nasceram em Óleo, mas foram fazer a vida em Ibiporã, uma cidade pequena ao lado de Londrina, no estado do Paraná, e de fato se casaram, tiveram filhos, mas morreram jovens.

Mas intrigante mesmo é o quão difícil encontrar registros de dona Jacinta, tudo que seu Laurindo diz bate com os registros, então, não tenho nenhum motivo pra achar que esse fato de sua origem seja conversa fiada de meu bisavô.

Vamos começar pelo nome, até os anos 30, os registros eram nebulosos nesse sentido, o nome escrito, pode ser diferente, Jacinta Quintina, se realmente nasceu na Itália, provavelmente se chamava Giacinta ou até Giacyntha, o sobrenome Quintina, de fato existe muito por aí e tem sim origem na Itália, mas não dá pra descartar o fato de no Brasil, muitos sobrenomes serem mudados no final pelo gênero, o exemplo claro é minha bisavó Ana, o sobrenomeTheodoro , de seu Aureliano, em minha bisavó, passou a ser Teodora, o que poderia muito bem ter acontecido o mesmo com dona Jacinta, que ao invés de Quintina, seria Quintino em sua origem. 
Se foi possível até agora saber a origem de Aureliano em um registro religioso, o de Jacinta ainda é incerto, pelo menos na forma documental.  
Troquei e-mail com o Museu da Imigração e não encontraram registros pelo nome, geralmente os imigrantes nessa época, vindos de qualquer lugar do mundo, usavam a hospedaria do Brás em São Paulo, que hoje é o Museu da Imigração. 
Outra coisa que poderia me ajudar, é encontrar o óbito de dona Jacinta, aí voltamos ao diálogo transcrito acima, se meu avô de fato a conheceu, ela deve ter morrido entre os anos 40 e 50, Joaquim cita que ela morreu "ali" , pro meu bisavô Laurindo, parecia ser claro onde era o "ali" , mas pra mim, é uma incógnita. O diálogo aconteceu na casa de minha Tia Cida, em Campinas, mas teria dona Jacinta morrido em Óleo? Seus filhos masceram lá, provavelmente ela morreu depois deles que foram pro Paraná. Joaquim se referia a exatamente qual cidade? Óleo, Domelia, Espírito Santo do Turvo, Santa Cruz do Rio Pardo, Santa Bárbara. São cidades próximas onde Joaquim não especifica qual, e procurar em cada uma delas é como procurar uma agulha no palheiro, é quase que jogar no escuro quando pesquisamos óbitos no FS, sem referência de data. Fora documentos os privados que só podem ser abertos em uma sede do Family Search. 

Saber onde nasceu e morreu dona Jacinta Quintina se tornou uma missão de vida, é um tanto quanto angustiante ainda não ter encontrado essa informação tão valiosa. Será que Laurindo se enganou e ela não nasceu na Itália,  se é isso, de onde veio Jacinta? O que ela fazia em Óleo ao conhecer Aureliano? Se sim, de qual cidade italiana Jacinta veio? Perguntas ainda sem respostas, mas que um dia voltarei neste Blog pra responder.






sábado, 23 de dezembro de 2023

As Curiosidades da Minha Genealogia Pt2


Não sei quantas partes farei nesse Blog e nem o intervalo de uma pra outra, mas resolvi fazer na sequência a parte 2, falando de Elisa Dias Corrêa, minha Tatatavó(trisavó).

Falei muito na Parte 1 sobre meu Bisavô Laurindo e meu Tataravô Antônio. 

Então, seguindo essa linhagem, resolvi escrever aqui, o que sei e descobri até agora sobre Elisa. 

Antes de me aprofundar sobre sua vida, até o momento, o ramo com maior quantidade de gerações descobertas e disponíveis na minha árvore é o que está a dona Elisa, não é muito prático detalhar cada uma das gerações que a antecederam, mas destaco o mais antigo, nascido em Nazaré Paulista/SP, por volta de 1700, o senhor Lourenço Cubas, e um outro ramo próximo, Manoel Joaquim Inglês, nascido em Itu/SP em 1787, filho de Anna Maria e de pai incógnito. Os registros apontam que Manoel era escravo e foi alforriado ainda criança, junto de sua mãe por este senhor inglês, que muito provavelmente era seu pai e por isso, Manoel levou esse sobrenome. Infelizmente não sabemos até o momento se era Negro ou Índio, mas registros apontam que Manoel vivia em Araraquara/SP, no Bairro do Jacaré, se casou em Campinas/SP, com Esperança Maria De Siqueira em 26/06/1810 e tiveram doze filhos. Todas essas gerações e ramificações que antecederam dona Elisa, viviam em cidades do interior de São Paulo, não encontrei uma só geração que esteve em outro estado.

Agora sim, falando de Elisa, nascida em Santa Cruz Do Rio Pardo, em 26 de Setembro de 1887, filha de Gabriel José Corrêa  e Maria Dias Batista, era a segunda filha, de oito irmãos.

Conforme citei várias vezes na parte 1, meu pai costumava gravar conversas com a família, numa delas, meu pai estava andando com sua filmadora, em uma rua de Domélia, com meu bisavô Laurindo, onde ele claramente disse: " --A Dona Elisa, era pretinha." Se referindo à sua mãe. Seu Laurindo era Pardo, infelizmente nunca vi uma foto de Dona Elisa, mas no Family Search, Umbelina, uma de suas irmãs, tem uma foto, já bem idosa nos anos 70, ela era parda, mas de qualquer forma, em alguma parte futura dessa série de artigos, falarei sobre os irmãos de minha mãe, onde todos são dos mesmos pais e alguns se diferem pela cor da pele, por isso não duvido do que meu bisavô Laurindo mencionou nessa conversa.
E como não tive acesso a nenhuma foto dela, criei essa foto de IA, no APP da Bing, Image Creator, apenas para ilustrar a pessoa de quem estou falando, de acordo com a única característica que meu bisavô disse nesse vídeo.

Não encontrei até o momento, o registro de casamento de Elisa e Antônio, mas eles tiveram o primeiro filho (João) em 1906, em Santa Bárbara/SP, então, pela data, teve seu primeiro filho aos 19 anos de idade, o casal teve doze filhos, não conheci nenhum irmão do meu bisavô, mas troquei mensagens com seu Isaltino, um homem que contribuiu bastante para esta àrvore, com fontes registradas lá no FS, e vive ainda na região onde vivia meu bisavô.  Ele não conheceu ou diz não se lembrar de meus Tataravôs, mas disse que se lembra bem de meu Bisavô Laurindo e de seu irmão Abílio, que faleceu nos anos 2000 na Capital de São Paulo. 

Voltando a citar um trecho de um vídeo onde seu Laurindo fala sobre sua mãe Elisa, ele dá informações de onde e quando ela faleceu. Algo que não encontrei registros documentais até agora, mas as informações são bem específicas. 
O vídeo é de 1993 e ele mencionou que há 42 anos, sua mãe havia falecido, e que em apenas um único ano ele não visitou o seu túmulo no cemitério da cidade de Espírito Santo Do Turvo/SP, citou inclusive outros familiares enterrados neste túmulo. Então ali, com essa relíquia de vídeo, foi possível ter a informação do local onde dona Elisa faleceu e o ano, pois se em 1993 faziam 42 anos de sua morte, um calculo simples, resulta no ano de 1951, aos 64 anos de idade.

Ainda quero muito voltar à cidade de Domélia/SP, onde fui muito até minha adolescência, ainda tenho um Tio, irmão de meu avô que reside por lá, quero muito conversar com ele sobre algumas coisas que talvez ele possa me responder, fato é que a cidade de Espírito Santo do Turvo/SP, é no caminho de Domélia e pretendo visitar esse cemitério pra talvez ali exista a lápide de dona Elisa, mencionando a data exata de sua morte, quem sabe até uma foto ainda esteja preservada pelo tempo.


sábado, 16 de dezembro de 2023

As Curiosidades da minha Genealogia - Pt1


O primeiro texto que fiz aqui pra este blog, foi um resumo sobre minha genealogia, os meus antepassados que fizeram parte do início da minha vida e uma reflexão sobre tudo aquilo.
Resolvi começar a escrever sobre curiosidades de cada ramo da àrvore, e o que descobri até agora sobre esse pouco mais de um ano que comecei a pesquisar sobre a história da minha família.

Essa Parte 1, será sobre o lado paterno do meu pai.

Antes de começar, apenas menciono que a foto é meramente ilustrativa, originalmente em Preto & Branco, fiz a coloração dela em um desses aplicativos de melhorias de fotos. Foi tirada em meados dos anos 60, meu pai aparentemente com uns 8 ou 9 anos, meu avô e minha avó, o local, provavelmente foi na casa onde moravam nessa época, na zona leste de São Paulo.

O mais longevo até agora que tenho conhecimento é o senhor Messias Tobias Rosa, alguns documentos o mencionam como Messias Tobias Amante Rosa, não encontrei ainda nenhum documento específico dele, mas ele é citado em inúmeros documentos de seus descendentes. Messias é meu Tetravô, nascido no estado de Minas Gerais, (ainda não localizei de qual cidade) provavelmente entre de 1850 e 1860. Foi casado com Maria Honória De Jesus, ela também é citada em documentos como nascida no Estado de Minas Gerais. Vou citar algumas vezes aqui, um vídeo que tenho do meu bisavô contando brevemente sobre seus antepassados, e se não diz nada sobre Messias, pelo menos cita sua avó, Maria Honória, que está enterrada na cidade de Espírito Santo do Turvo, no interior do estado de São Paulo. Voltando ao Messias, tenho muita vontade de saber mais coisas sobre ele, seus sobrenomes são de origem portuguesa, não sou historiador, mas nessa época quem era nascido no estado de Minas Gerais, tinha seus antepassados, portugueses que viveram no estado extraindo ouro e mandando pra Portugal, se estamos falando de uma pessoa nascida em 1860, podemos contar umas três ou quatro gerações no máximo pra encontrar algum português. Mas por enquanto, a origem e o paradeiro final de Messias segue sendo um mistério. 

O filho do casal citado acima é o Antônio Tobias Rosa, é bem provável que ele não era filho único, mas por enquanto não encontrei evidências concretas de irmãos, Antônio era meu Trisavô, nascido em Araraquara, estado de São Paulo, em 13/06/1882, já me deixa uma curiosidade sobre essa época, de forma geral isso aconteceu muito nas gerações desse período na minha família, era comum mudarem de cidade durante a vida, como disse no início, seus pais eram mineiros  e se Antônio nasceu em Araraquara, saíram de Minas para tentar a vida em São Paulo, que na época, de fato era um lugar com cidades que davam mais oportunidades de trabalho na área de lavoura.
Voltando ao Antônio, foi casado com Elisa Dias Corrêa, a árvore de dona Elisa é a mais longeva que tenho por enquanto, então falarei dela em outro artigo, mas ela está enterrada no mesmo cemitério que minha tataravó, em Espírito Santo do Turvo, segundo meu bisavô, no mesmo vídeo já citado. 
Antônio e Elisa tiveram 12 filhos. Antônio ficou viúvo de Elisa em 1951, ele tinha 69 anos e curiosamente se casou de novo, em setembro daquele mesmo ano, com Mariana Rita de Jesus. Não há registros de filhos do casal. 
Antônio morreu em 14/08/1973, aos 91 anos, de Senilidade, na cidade de Rondon, estado do Paraná. No atestado de óbito, é mencionado que Antônio era viúvo, apesar de não citar se a referência era sobre Elisa ou se Mariana, sua segunda esposa, também já era falecida. Para finalizar sobre Antônio, como queria ver uma foto dele, saber como ele era, se ele parecia com alguém que conheci. Talvez ainda existam fotos por aí, em alguma caixa de coisas antigas, esquecida pelo tempo.

Dos doze filhos de Antônio, um deles era o senhor Laurindo Rosa Corrêa, meu bisavô, nascido em 13/12/1908, na cidade de Santa Bárbara, interior de São Paulo. Laurindo se casou em meados dos anos 30, com Ana Theodora Da Silva, numa cidadezinha do interior de São Paulo chamada Óleo, o casal teve 7 filhos, apesar de terem todos os filhos em Óleo, eles viveram na cidade de Domélia, um povoado menor ainda, onde tenho alguns parentes que ainda residem por lá. Infelizmente não conheci minha bisavó Ana, pois ela morreu em 1984, meses depois que eu nasci. Mesmo viúvo, Laurindo continuou morando em Domélia, não sei se trabalhou nisso a vida inteira, mas ele era barbeiro e fez isso até pouco tempo antes de morrer. Ele tinha um jeito arrastado e muito calmo de falar com sotaque do interior de São Paulo. Domélia lá nos anos 90 era uma cidade muito diferente do que eu estava acostumado, lembro de passar feriados e finais de semana lá, o povoado vivia numa cidade menor que o bairro que eu morava, e era a porta de casa aberta de frente pra rua, vizinhos que sempre paravam pra conversar, rua já asfaltada, mas casa bem antiga, com chão de madeira, insetos voando, passarinhos cantando, sapos, pererecas, rãs, grilos e cigarras fazendo seus barulhos sem parar e o quintal dos fundos com uma horta. Era ali que vivia o Laurindo que conheci, não sei como foi sua vida na época de casado e seus filhos pequenos, mas o meu idoso bisavô era um velhinho conversador e uma calmaria enorme. Laurindo faleceu em 28/09/1997,com 89 anos, passou mal e bateu a cabeça de forma violenta contra o chão, ficou uns dias internado, mas não resistiu. Seu atestado de óbito dá como causa da morte, fratura e traumatismo craniano. Vô Laurindo, como costumávamos lhe chamar, está enterrado ao lado de sua esposa na cidade de Domélia.

Dos sete filhos do casal Laurindo e Ana, o mais velho era Joaquim Rosa da Silva, meu Avô. Assim como seus seis irmãos, seu Joaquim nasceu na cidade do Óleo, em 01/04/1934. Pois é, ele de fato nasceu no dia da mentira. No primeiro texto deste blog, que citei acima, até que falei bastante sobre meu avô, mas vou tentar detalhar um pouco mais aqui. Uma pena que por tanto tempo de convivência que tive com meu avô, não tinha curiosidades sobre sua vida quando jovem, hoje tenho bastante essa curiosidade em saber o que fez o jovem Joaquim ir embora do interior de São Paulo e se aventurar na Capital. Seu pai era santista, mas ele era São Paulino, em algum documento que li sobre ele, menciona que era mecânico, sei que se casou com Ozenia Reyes Lopes em 26/01/1957, na cidade de São Paulo. 

O Joaquim que me lembro já desde o final dos anos 80 era taxista, dirigia um chevette branco, seu ponto ficava no bairro do Belém, na zona leste de São Paulo. E foi isso até quando ele e o seu carro aguentaram. 

Como mencionei lá no outro texto, cheguei a levar umas broncas dele quando criança, até adolescente, acho que também levei depois de adulto. Mas ele apesar desse lado turrão, era na maioria das vezes (com seus dois netos) calmo, conversador e até engraçado. Mas não era assim com seu filho único, meu pai me contava o quão ruim ele foi. Meu pai nunca foi muito bom na escola e meu avô lhe batia com o que via na sua frente quando o chamava pra estudar tabuada por exemplo, sempre que meu pai errava, ele apanhava de alguma forma. Fora que nunca foi um pai amoroso, nunca o levava pra lugares que os seus primos iam, lugares que crianças gostavam de ir. A relação adulta dos dois era formal, eles conversavam sobre coisas cotidianas, mas claramente existia uma barreira entre eles, amor de fato, meu pai só teve de sua mãe e tias. Eu não duvido de uma só vírgula do que meu pai relatava, seu Joaquim parecia mesmo ter esse passado obscuro, apesar de comigo isso nunca ter acontecido. Na minha fase final de adolescência e inicio de vida adulta meu avô sempre tentava me incentivar, tentava fazer mais parte da minha vida. Vou terminar esse artigo falando do meu pai, mas pra finalizar sobre meu avô, preciso falar sobre a morte repentina do meu pai. A vida inteira, passei vendo meu avô sendo um homem forte, comia feito um cavalo, parecia até viciado em comer, e apesar de nunca o ver bêbado, bebia regularmente, sempre tinha lá sua cachaça e groselha debaixo da pia. Até o dia do meu pai morrer, eu nunca tinha visto meu avô doente, nem gripado. Mas o velho desmoronou depois disso. Certa vez estava andando pela praça da Sé e desmaiou, disse que só se lembrava de pessoas em volta, com ele no chão sendo socorrido pelos populares. Emagreceu pelo menos uns vinte quilos, entrou num quadro de anemia e foi a um médico particular,  que o diagnosticou com câncer no fígado. Mas esse período foi extremamente angustiante pra ele, pois o lado físico dele não era o pior, mas ele claramente estava amargurado, seu psicológico após meu pai morrer estava destruído, ele via eu ou meu irmão chegar em sua casa e começava a chorar, muitas vezes tentava segurar o choro, mas nos via e se emocionava. O que exatamente ele sentia quando nos via, eu nunca tive coragem de perguntar, mas parecia que ele tinha um arrependimento muito grande de não ter sido um bom pai e ao nos ver, automaticamente se lembrava de seu filho. Vô Joaquim morreu em 08/07/2006, aos 72 anos, seu final foi bem triste, o câncer epático terminal lhe fazia vomitar bile, nem podia mais comer e seus últimos dias, já não reconhecia ninguém. Ainda vou escrever neste blog sobre o que penso a respeito de pós-morte, mas eu espero muito que depois de todo esse sofrimento, meu avô tenha encontrado a paz depois que morreu. Seu Joaquim foi enterrado no cemitério da Quarta Parada, na zona Leste de São Paulo.

O casal Joaquim e Ozenia tiveram um único filho, Eduardo Rosa, meu Pai.
Pretendo fazer um artigo único sobre meu pai em algum momento, sempre que tento escrever sobre ele, me emociono a ponto de não conseguir continuar. Tentarei aqui mencionar sobre sua vida, sem entrar no lado do herói amoroso que ele é pra mim até hoje. 
Meu pai nasceu em São Paulo, Capital, em março de 1958, foi criado com seus pais e minha tia Santa, que também falarei dela por aqui em algum momento, fora os vários tios, tias e primos mais velhos que tinha dos dois lados. Apesar de meu avô ser São Paulino, ele dizia que se tornou São Paulino, muito mais pela influência de seu tio Adelino, que era casado com sua tia Izabel, irmã da minha avó. Seus três primos eram mais ou menos da mesma idade que ele e foi aí que se tornou São Paulino doente. Em 1979, conseguiu um emprego no Banco Itaú, como escriturário, e só saiu de lá no dia que morreu. No mesmo ano se casou com minha mãe, dona Fátima Moraes, também devo falar mais dela neste blog em algum momento. O casal teve dois filhos, meu irmão Tiago,nascido em 1980 e eu que nasci em 1984.

Seu Eduardo passava a vida na rotina de trabalhar de segunda à sexta, voltar pra casa, ficar com a família, e no final de semana ir à casa de seus pais, e da Tia Santa. Seu hobby era o carro que tinha, sempre teve carros bem conservados, o que chamava mais atenção era um Opala 81, lindo demais, mas que vendeu no final dos anos 90, pois já queria um carro mais novo.

Meu pai era um ser iluminado, um cara na dele, discreto, mas ao mesmo tempo prestativo, muito carismático e engraçado. Sempre antenado em tecnologia, de forma amadora, gostava muito de se atualizar nas coisas que comprava, como aparelho de som, vídeo cassete, televisão, DVD, filmadora. Alias, nesse aspecto ele sem saber era um visionário, em todas as festas de família levava sua filmadora pra registrar tudo, até em dias normais, pedia pra eu gravar o final de semana que íamos pra casa dos meus avós. Vejo esses vídeos e sinto uma saudade gigantesca da época que todos estavam vivos, nem fazia ideia da falta que sentiria de cada uma das pessoas que ali aparecem. 
Sempre odiou álcool, mas tinha um vício forte em cigarros, disse certa vez que começou a fumar escondido aos 14 anos. Ele não comprava maços de cigarro, comprava caixas, geralmente da marca Galaxy, onde eram vendidas em camelôs no centro da cidade que vinham do Paraguai. Era um fumante assíduo.

Em 1996 sofreu um infarto, dizia que vinha tendo umas dores no peito e num sábado ao chegarmos na casa da minha avó, disse que já na garagem sentiu uma dor forte no peito. Almoçou com essa dor e disse para minha avó que estava sentindo dores no peito e na nuca.

Nem meu avô e nem eu estávamos na hora em que isso aconteceu, meu avô estava trabalhando e eu estava pra rua, meus amigos sempre foram ali da rua que minha avó morava e eu estava na quadra jogando bola. A alternativa da minha avó e da minha tia que estavam com ele foi correr na casa da minha prima Dyma, que morava um pouco pra baixo da casa delas e que já dirigia.

Ela levou meu pai até o pronto socorro Cristo Rei, no bairro do Carrão, na zona leste de São Paulo, e ali foi constatado que estava sofrendo um infarto. Meu pai relatou depois, que ao ser medicado, ele sentiu sua visão diminuir, sua respiração cada vez mais ofegante e até a audição quase tampada por completo e que ali percebeu que seria o seu fim. Mas aos poucos começou a recuperar os sentidos.  O rápido atendimento e aquela medicação, salvaram a vida do meu pai naquele momento. Ele falou com o médico sobre o que sentiu e o médico mencionou que aquilo era somente uma reação do corpo por causa da medicação, mas apesar de não ver túnel, nem espíritos, dizia que a sensação era de que estava de fato morrendo. Depois desse susto que ele e nós passamos, sua rotina mudou. Ficou um tempo afastado do trabalho, mas parou de fumar de forma imediata e passou a tomar três remédios diários. Fora isso seguiu sua vida normalmente. 

Em 2002, Seu Eduardo parecia estressado com sua rotina de trabalho, acho que aqueles 23 anos de banco estavam lhe sufocando, nunca tinha visto meu pai com tanta vontade de sair de férias, no Carnaval daquele ano, minha mãe e meu irmão foram pra praia com uns tios e primos, eu fiquei com meu pai, nós fomos no cinema assistir Efeito Colateral, um filme do Arnold Schwarzenegger, lançado poucos meses depois do 11 de setembro, com a temática parecida. Ele saiu do cinema dizendo que gostou bastante do filme e que a qualidade do som e imagem estavam muito melhores do que na época em que ele costumava ir ao cinema. Aquele feriado foi rotineiro, mas ao mesmo tempo especial pra mim. Inexplicavelmente eu quis ficar com ele em casa e não na casa da minha avó. A gente conversou muito, essa situação que mencionei sobre sua relação com meu avô, ele me disse nesse feriado. Ao mesmo tempo, ele estava estranho, parecia que ele tinha uma certa desconfiança do que ia acontecer com ele dias depois, duas coisas que posso me lembrar, é que estávamos indo almoçar na casa da minha avó e ele parou o carro e disse que ia numa loja do outro lado da rua comprar uma toalha, e antes de sair do carro sem nenhum contexto me perguntou: "-- E se eu morrer, como você vai ficar?" Eu respondi algo como "você ta louco? Você não vai morrer". Ele sorriu e antes de sair disse: "--Você precisa cortar um pouco esse cordão umbilical que tem comigo."  Na hora eu liguei o foda-se, o vi sair do carro e aumentei o rádio. 
A outra coisa foi mais intrigante ainda, não lembro bem sobre o que era o assunto, mas ele mostrou o talão de cheques que estava pra minha tia Santa, que  só tinha 3 folhas. Minha tia lhe perguntou porque ele ainda não tinha pedido um novo talão pro banco. E ele respondeu "-- Eu não, vou morrer logo, não vou precisar de cheques." Nem Tia Santa e nem eu ligamos para isso na hora, mas depois do que ocorreu, essa situação sempre era lembrada por nós. Mais uma coisa que me lembro e que corrobora para esse caso de ele de certa forma achar que ia morrer,  foi um relato de seu amigo de trabalho, Marcelo Cabelo, onde também sem o menor contexto na conversa questionou se Cabelo sabia quanto custava um caixão.
Ou seu Eduardo já vinha se sentindo mal e previa que algo de ruim com sua saúde iria acontecer, ou era algo sobrenatural que vinha sentindo, não dá pra jogar essas três situações em tempo muito próximos, nas costas da coincidência.

Na semana seguinte ao feriado de Carnaval, meu pai se sentiu mal no banco, passou uns dois dias com dores e foi ao ambulatório pedir um remédio pra dor, mediram sua pressão e mencionaram que poderia estar com algum problema,  uma secretária do banco que trabalhava com ele o levou de carro.

Dessa vez foi levado ao hospital Santa Paula, no bairro de Santana, que demorou muito tempo para atendê-lo, mas diferente da primeira vez ele se sentiu bem após a medicação, porém precisaria ficar internado para fazer um cateterismo. Não sei se cometo aqui uma injustiça, mas tenho pra mim, que ali aconteceu algum erro médico. O relato da minha mãe que estava na recepção de onde a operação ocorria, era de que os médicos corriam de um lado pro outro, nervosos, onde pareciam se justificarem por coisas que não nos relataram.

No dia 21/02/2002, seu Eduardo Rosa, meu pai, meu melhor amigo, meu herói morria, devido a sucessivas paradas cardíacas no procedimento de cateterismo. Qualquer Google que damos hoje, vemos que o procedimento de cateterismo sempre teve risco muito próximo do zero, então mesmo sem poder provar nada, creio que os médicos fizeram alguma merda que ceifou a vida dele.  Por mais que já tenha se passado quase 22 anos desse ocorrido, pra mim ainda é revoltante que meu pai tenha morrido aos 43 anos, deixando de ver tanta coisa que veio depois que ele fechou os olhos. Eu não vou aceitar nunca isso. 
Assim como meu avô, meu pai foi enterrado no cemitério Quarta Parada, no jazigo perpétuo da família.

E a parte I das curiosidades sobre minha genealogia termina por aqui, essa parte ficou longa, pois achei que deveria falar um pouco mais sobre meu pai,e a coisa mais curiosa é que nessa linhagem, Antônio, Laurindo e Joaquim, morreram ultrapassando a casa dos noventa, oitenta e setenta anos respectivamente,  só o Eduardo que morreu jovem, com 43 anos. 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

O final do Campeonato Brasileiro de 2023


O campeonato brasileiro chegou ao seu final há três dias, consagrando o Palmeiras como campeão mais uma vez.

Já fui fã dessa fórmula de pontos corridos, mas hoje acho uma coisa chata ao extremo, que privilegia times ricos, e que coloca zero emoção na briga por títulos, bem diferente do que ocorre em competições com play-off.

Mas falando sobre o campeonato, o Botafogo que era o Underdog da vez, conseguiu encaixar uma sequência vexatória de jogos sem vitórias e além de perder os 13 pontos que tinha de vantagem, perdeu até sua posição no G-4, terminando na quinta colocação.  Nem o São Paulo de 2018 e nem o Palmeiras de 2009 fez uma campanha de entrega tão humilhante quanto essa. Bom para o Palmeiras, que sem muito esforço chegou a mais um título merecido. 

Na briga pela libertadores, além do Palmeiras, Grêmio que fez uma campanha muito boa, Atlético Mineiro que se recuperou de uma sequência sem vitórias e Flamengo que conseguiu se garantir na fase de grupos mesmo perdendo no jogo final. Jogam a Pré-Libertadores, Botafogo e Bragantino. Fluminense que ganhou a Libertadores e São Paulo que ganhou a Copa do Brasil também estarão na fase de grupos.

A briga pra fugir do Z-4 foi até a última rodada, América, Curitiba e Goiás, já tinham sido rebaixados há algum tempo, mas a última rodada estava indefinida entre Bahia, Vasco e Santos.

O Vasco na última rodada pegou o Red Bull em casa e conseguiu um 2x1 sofrido.

O Bahia que tinha feito um resultado horrível contra o lanterna América, em sua casa goleou o Atlético/MG de forma espetacular.

Já o Santos que dependia apenas dele pra se manter na elite, conseguiu perder em casa pro Fortaleza, que não almejava mais nada no campeonato. 

Apesar de ser um rival, a queda do Santos é um tanto quanto triste na minha opinião, não que não seja merecido, pois o clube ensaia essa situação há algum tempo, mas parece ser mais um daqueles times gigantes que entra numa decadência difícil de sair.

Por fim, minha opinião é que apesar de em alguns momentos, ter uma certa emoção, o campeonato foi bem fraco, com o campeão batendo o recorde de menor pontuação desde o inicio dos pontos corridos, fora que na última rodada, o campeão e os times da Libertadores e Sul-America já estavam definidos, e só uma vaga na briga pra fugir do Z-4 que não permitiu que a rodada fosse um baita amistoso.

sábado, 2 de dezembro de 2023

As 11 Capas de disco que mais gosto

 

LP
Cresci numa época onde o Vinil e depois o CD eram febre e sempre gostei de ver a criatividade de algumas capas de artistas que ouvia as músicas. 

Então sem ordem de preferência, resolvi postar aqui as 11 capas que fizeram parte da minha vida neste tempo que ficou pra trás.

Skank - Calango

Skank - Calango

Já fui mais fã do Skank no passado, mas até hoje acho a capa deste álbum muito legal. um cara usando uma espécie de capacete com uma estrela no meio, uma tampinha de garrafa de cada lado, um fone de ouvido diferente e um óculos onde as lentes lembram o dispositivo que rosqueia a lanterna de luz de teto. Uma criatividade incrível.

Metallica - Kill em All 

Metallica - Kill ´em All
Metallica sempre foi muito feliz na sua estética, mas a capa deste álbum é um tanto quanto interessante, dando uma espécie de duplo sentido na capa, alguns enxergam uma mão com um machado em cima contra a cabeça de uma pessoa. Outros enxergam um rastro de sangue e um machado próximo em cima de uma mão caída.

É um desenho criativo, hoje teria o gosto questionado, mas pra época foi icônico.

Metallica - Load

Metallica - Load
Lembro da primeira vez que vi esse Álbum e a capa me chamou a atenção, por mais simples que seja, o caminho do fogo parece prensado numa especie de vidro. Mais uma capa muito criativa que me chamava a atenção.

Mamonas Assassinas

Mamonas Assassinas

A capa do icônico álbum dos Mamonas Assassinas não tem muito o que explicar, são os cinco integrantes com um desenho de uma mulher com os peitos de fora usando um colar com o símbolo da banda. Bom gosto extremo de uma banda que se destacou demais pela sua originalizada, inclusive na estética do álbum.

Beatles - Sargent Peppers

Beatles - Sargent Pappers
Depois de muitos anos fui saber quem eram as pessoas além dos 4 Beatles na icônica capa deste icônico álbum da banda mais icônica do planeta.
 
Um desenho que me fazia ficar olhando por horas e que me chama atenção até hoje.

Beatles - Abbey Road
Beatles - Abbey Road
Abbey Road é o penúltimo álbum dos Betles, com eles atravessando uma rua de Londres em fila indiana.
 Estive três vezes em Londres, somando exatos 30 dias, nas três vezes, fiz questão de ir até lá e devo ter atravessado a rua umas 50 vezes. Só um beatlemaníaco para entender o quão incrível essa capa é!!

Daft Punk - Random Access Memories

Daft Punk - Random Access Memories

Esse álbum de 2013, é o único que nunca tive físico, 2013 já era uma época onde os CD´s já tinham perdido espaço para o Ipod e MP3. 
Mas mesmo assim, sempre gostei desta capa. O Capacete ultramoderno da dupla dividido ao meio e juntos numa foto que cria a capa do álbum. Capa muito bonita e com um bom gosto enorme.

Aerosmith - Nine Lives

Aerosmith - Nine Lives
Acho esse um dos melhores álbuns do Aerosmith, cresci ouvindo, pois foi lançado nos anos 90. A capa é com um desenho extremamente criativo, um gato preso a um alvo, usando uma camisa da banda, e facas em volta, fazendo a analogia da tradução do nome do álbum. Fico espantado até hoje com a criatividade desse desenho.

Eduardo Duzek - Cantando no Banheiro

Eduardo Duzek - Cantando no Banheiro
Esse era um LP que fazia parte da coleção do meu querido pai. Tem umas duas músicas que acho legal, mas a Capa é o que sempre me chamou a atenção, não sei explicar muito bem o motivo, mas acho esse visual oitentista impressionante. 

Raimundos - Lapadas do Povo

Raimundos - Lapadas do Povo
Acho essa capa incrível até hoje. Um caminhão numa rodovia com a traseira espelhada, refletindo um carro atrás dele. Lindo demais.

Michael Jackson - Dangerous


Michael Jackson - Dangerous

E por fim, sempre olho pra essa capa e enxergo algo moderno, inovador. Não sei explicar, mas essa capa parece algo muito á frente de seu tempo, lançado lá em 91. Assim como o Sargent Peppers, mutos anos depois fui entender o significado de cada desenho. Adoro essa Capa!!


Minha hérnia de Disco

Há alguns meses, senti uma dor nas costas, comecei a tomar um analgésico, que fazia a dor passar por um tempo, mas ela voltava. ...