sexta-feira, 31 de maio de 2024

Furiosa - Uma Saga Mad Max

Quase 10 anos depois de Mad Max Estrada Da Fúria chocar o gênero de ação pós-apocalíptico, sem zumbis e cenas criadas por CGI, George Miller lança o prelúdio dessa história. 

Trata-se do inicio da história da Furiosa, personagem que no primeiro filme foi interpretada pela Charlize Theron, neste a personagem é interpretada por duas atrizes, na primeira hora pela sua versão criança Ayla Browne, e pela Anya Taylor Joy. Ambas estão ótimas na mesma personagem em suas respectivas fases. Acho a Anya Taylor-Joy apesar de não ter a mesma carapaça de bad-ass que a Furiosa de Estrada Da Fúria teve, é notória a transformação e evolução da personagem durante as quase duas horas e meia de filme.

O vilão Dementus, que é interpretado pelo Chris Hemsworth, é muito caricato, mas é um jeito diferente do que vimos em Estrada Da Furia, com o Imortann Joe, que é tão repulsivo quanto, pois a interpretação foi impressionante, principalmente vinda de um ator que tem o estereótipo de Super-Heroi.


Sobre o filme, achei incrível o nível de capacidade criativa do George Miller nas cenas de ação, é inacreditável a forma como os takes abertos são mostrados, como aqueles veículos malucos fazem sentido. 

É impressionante o que esse diretor num cenário cheio de cores vivas consegue transformar todo aquele caos de forma tão imersiva para um filme feito pra ser visto no cinema, de fato é um filme tão bonito visualmente e tão objetivo em suas cenas, que é pra ser visto no cinema, coisa que é cada vez mais raro atualmente.

Óbvio que superar Estrada Da Fúria que foi um clássico da década passada seria extremamente complicado, mas esse não era o objetivo, o que muitos reclamavam do roteiro de 2015, onde diziam que a história ia de um ponto pro outro e voltava pro inicio sem muito sentido, em Furiosa, vemos um roteiro muito bem montado, com detalhes do que e de onde a personagem está inserida dentro do universo, diria que em termos de história, é até melhor que Estrada Da Fúria, mas como um todo, se não é tão perfeito quanto, ao menos chega bem perto e é um prelúdio digno e maravilhoso de ser visto dentro de uma sala de cinema.





sábado, 25 de maio de 2024

O Protetor 3 Capítulo Final


O Protetor é um filme que não tinha cara de que se tornaria uma trilogia, eu nunca vi o Denzel Washington fazer continuações de seus filmes, mas como no final da última década, filmes de ação deram uma ligeira mudada, ficando com aquela roupagem de John Wich, misturando ação e espionagem em um personagem carismático, O Protetor se tornou um filme Cult de ação. Eu assisti pois sempre vejo tudo que o Denzel faz, afinal, quem não gosta do Denzel Washington; bom sujeito não é.

Nesse terceiro filme, temos  Robert McCall totalmente vulnerável no início, quase indo pro outro mundo. O cenário é bem diferente, muito mais bonito na verdade, se passando na Itália, onde Robert presencia algo que poderia ser de interesse da CIA. Um cara procurado por eles há muito tempo está por lá, fazendo seus negócios ilegais justamente na cidade onde Robert McCall está escondido.

Claro que há excelentes cenas do Robert descendo a porrada, perseguindo e fulminado seus inimigos locais... mas o que mais gostei neste terceiro filme, foi a interação do personagem do Denzel com a personagem Emma, agente da CIA, interpretada pela Dakota Faning. Pra quem nunca ouviu falar ou não se lembra da Dakota Faning, lá no início dos anos 2000, ela era uma atriz mirim que estava sempre nos Blockbusters, fazia uma quantidade enorme de produções, uma delas foi o espetacular Chamas da Vingança de 2004, com o mesmo Denzel Washington.  Naquele filme ele interpretou um segurança que interagia bastante com a personagem da Dakota, mas que não conseguiu evitar o sequestro da menininha que precisava proteger, e ali formulava sua vingança e resgate contra os sequestradores.

Neste filme Emma é parte crucial tanto no decorrer da trama, quanto na ligação que tem com os dois primeiros filmes, que só descobrimos no final. Ver ambos em cena novamente e interagindo como se já se conhecessem no passado, foi uma ótima sacada do roteiro.

O título do filme mostra que de fato é uma trilogia, sem possibilidade de uma nova sequência, mas pela forma que termina, não vejo nenhum problema se tivermos mais histórias dessa franquia.  
Vale muito a pena tanto pra quem nunca viu os dois primeiros quanto pra quem gosta da franquia.

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Até o Limite


Mel Gibson sempre foi um dos meus atores favoritos, Máquina Mortífera, O Troco, Coração Valente, Mad Max, Mercenários 3 e tantos outros clássicos que ele atua de forma incrível.

De alguns anos pra cá, ele caiu num limbo, devido a problemas com alcoolismo e declarações totalmente sem noção. 

Mesmo assim, sigo assistindo seus filmes, que agora são com orçamentos menores, alguns com aquela cara de filme B.

Mas essa semana me deparei com esse filme, Até o Limite, onde ele interpreta um locutor de rádio, onde interage com ouvintes na madrugada.

O filme gira em torno de uma ligação recebida, onde ele recebe ameaças e se vê obrigado a fazer coisas para salvar a vida de algumas pessoas.

Parece um baita clichê, principalmente pra quem já viu o excelente Celular com a Kim Besinger e Chris Evans ou até o também ótimo Chamada de Emergência com a Halle Berry, mas com uma impressionante atuação do Mel Gibson, o filme te prende até o final e tem um daqueles finais que você vai achar genial ou vai odiar. Eu achei o final excelente,  muito melhor do que os filmes similares citados acima. Gosto de finais que fogem do óbvio.

Vale muito a pena assistir.

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Memórias Desbloqueadas



A imagem é do décimo primeiro episódio da décima primeira temporada da série Modern Family. 
A série é uma sitcom de comédia, e o personagem da foto é o Phil, talvez o personagem mais engraçado do seriado. Mas esse episódio é muito diferente do habitual, Phil descobre que seu pai está passando por problemas de saúde e vai visitá-lo.  Assistindo a esse episódio, tive uma espécie de memória desbloqueada, e achei que deveria registrar esse momento. 

Como dizia minha queridíssima e saudosa amiga Raquel, "escrever é minha terapia muda, escrevo mais pra me ler do que pra ser lida." Mas esse texto não é sobre Modern Family, tão pouco sobre a Quelzinha.

Voltamos para fevereiro de 2002, feriado de carnaval naquele ano caiu no dia 12, então no sábado dia 9, minha mãe e meu irmão pegaram o carro e foram pra praia com uns primos. Meu pai e eu ficamos. Era um hábito quase que religioso do meu pai ir almoçar na minha avó os sábados e domingos. Nossa casa até a casa da minha avó não era longe, mas também não era muito perto, leva uns 40 minutos andando, como estávamos sem carro, pegamos a lotação que passava em frente e partimos. 
Chegando lá, almoço pronto, comida da minha avó sempre incrível. Terminamos de comer, meu pai foi pra sala assistir TV. Eu faço o mesmo alguns minutos depois, mas não paro na sala, saio pra garagem, abro o portão e fico na calçada por um tempinho, não aparece ninguém que poderia conversar, volto pra dentro e me sento no sofá ao lado do meu pai.

Ele segurava um jornal, e me perguntou: " -Você vai ficar aqui ou vai embora?" O que ele queria saber é se eu iria dormir na casa da minha avó ou se iria embora pra casa com ele. Esse foi o primeiro efeito borboleta dessa história que relato aqui. Pra dar o contexto dessa situação, eu tinha até aquele momento o hábito de dormir na casa da minha avó todos os finais de semana e férias escolares. Eu tinha tudo pra responder à ele que iria dormir por lá mesmo, meus amigos eram na grande maioria daquela rua, ainda tinha uma ficante que morava duas casas pra baixo, e que tempos depois virou namorada, além de gostar do ambiente da casa de meus avós, então como disse, tinha absolutamente tudo pra querer passar o feriado na casa da minha vó. Mas por algum motivo que não sei dizer qual, respondi: "Vou embora pra casa". Ele abre o jornal e diz: "A gente poderia ir no cinema, tem um filme do Schwarzenegger em cartaz, vou ver os horários aqui no jornal." Aí vai outro contexto, meu pai era muito fã dos filmes do Arnold e do Stallone, mas aquele convite em 18 anos de vida, nunca tinha acontecido. Não me entendam mal, meu pai sempre foi o melhor pai do mundo, sempre foi meu herói, sempre me levou pra cima e pra baixo, mas especificamente nunca tinha me levado com ele ao cinema, então topei na hora, sei que muito gente teve sua primeira ida ao cinema quando criança, mas a minha foi naquele dia 9 de fevereiro de 2002, poucos dias depois de completar 18 anos. Sei que ficamos mais um tempo na sala com minha avó e minhas tias, e logo ele levanta pra ir embora e eu levanto junto, Tia Santa até estranha: " --Ué, você vai embora?" Eu respondo que sim, minha avó que estava do lado diz: "--Ele não vai deixar o pai sozinho." Dou um sorriso com o canto da boca. 
Na ida ainda fomos de lotação,  mas na volta, voltamos a pé, no caminho ele para na frente de uma loja e pede pra eu esperar: --"Vou comprar uma toalha, sua mãe comprou umas toalhas que não secam."  Toalha comprada, andamos um pouco mais e ao chegarmos na praça da Toco, ele diz que quer passar na Blockbuster, era uma época onde os DVD's estavam em alta, então as locadoras também estavam no auge. Sei que ele pegou 3 filmes, Stallone Cobra, Mad Max e o outro não lembro. Ele me dá a carteirinha, uma nota de R$50, os DVD's e pede pra eu ir pro caixa enquanto ele iria esperar fora da fila.  Quando chegou minha vez na fila, fui atendido por uma moça sorridente, bonita, cabelo bem preto, que deveria ter no máximo uns 23 anos, e ela falava sem parar sobre os filmes, perguntava se já tinha visto sei lá qual filme que era lançamento, e até olhando no computador, perguntou se eu morava na mesma rua da locadora. Lembro de algumas perguntas, mas nunca das resposta que dava. Quando saí de lá, meu pai diz: "-- Nossa, a menina te atendeu bem hein, acho que você vai querer voltar aqui todo dia." Como sempre fui muito tapado pra essas coisas, não notei se a moça só foi simpática no atendimento ou se ela tava tentando puxar papo por algum motivo diferente.

Chegamos em casa ele fala pra eu já ir tomar banho, pra logo irmos pro cinema. Fomos de metrô, na plataforma esperando pelo metrô, lembro de perguntar: " --Falta quanto tempo pra você se aposentar?" Ele disse que restavam uns 12 anos no máximo, mas que iria ver se faria algo pra tentar aposentar em menos tempo. As 3 estações que separavam a Vila do Tatuapé, ele foi contando que estava cansado, estressado, que não via a hora de chegar março, pois sairia de férias e ia com minha mãe pra um hotel fazenda. Lembro de ter aprovado a ideia, sabia que ele gostava de mato, andar à cavalo, e etc.
Chegamos no andar do cinema, ele vai em direção ao Hall dos caixas eletrônicos, mas olhou pra bilheteria e falou: --"Não preciso tirar dinheiro, eles aceitam Rede Shop."  Compramos pipoca, refrigerante e fomos pra sala, lembro de ter achado o máximo o ambiente, tanto de fora quanto interno. O filme era Efeito Colateral, tinha a temática próxima do 11 de setembro, que havia rolado há poucos meses, filme que inclusive foi adiado o lançamento, justamente por causa do atentado.

Ao saímos do filme, ele estava mais empolgado que eu, além de ter curtido o filme, ele disse que na época em que ia ao cinema, era bem diferente, o som estava muito melhor e a qualidade da imagem era incrível. Aqui abro um parêntese pra dizer que imagino como ele ficaria nos dias atuais assistindo filmes em 3D, HD e etc.
Foi um momento único pros dois, pra mim que nunca tinha ido num cinema e pra ele, vendo a geração mais avançada dentro de uma sala de cinema. 
Saímos de ainda fomos no McDonald's do Shopping, conversamos sobre o São Paulo F.C . Em casa, lembro de termos jogado Speed Racer no Playstation 1 (sim, meu pai era gamer)  até ele ficar com sono e ir dormir.

No domingo o ritual foi o mesmo, almoçar na casa dos meus avós e voltar. Nesse dia assistimos Stallone Cobra, lembro que achei a cena do Supermercado surreal, e ele que já tinha visto o filme, também tinha gostado da cena. A noite não sei como o papo surgiu, mas ele começou a contar o porque a relação dele com meu avô Joaquim era tão distante. Desde que me conheço por gente, eles mal se falavam, trocavam uma palavra ou outra quando estavam à mesa almoçando, mas parecia mais com dois conhecidos falando coisas corriqueiras do que pai e filho. Ele já havia me dito por cima o que achava do meu avô, mas naquele dia ele me deu detalhes de sua época de infância e adolescência que eu não sabia, era uma relação fria, onde meu avô lhe tratava muito mal, com violência e indiferença. 
Nunca ouvi a versão do meu avô, mas a do meu pai, é que meu avô foi um péssimo pai. Lembro dele me contar e eu pensar que ele havia passado por tudo aquilo e era um pai maravilhoso, amoroso, amigo e muito presente pra mim e pro meu irmão. Ali foi mais um momento único, onde ele me expôs coisas que nunca havia me dito.

Não lembro direito da segunda, mas apareceu um amigo dele lá em casa, achei estranho, meu pai não era de levar amigos em casa, era um velho, meu pai saiu com ele, voltou uma hora depois dizendo que o velho veio pedir dinheiro. 

Na terça ele ficou no computador, estávamos na era Jurássica da Internet, acessar sites era o máximo, ainda estávamos na Pré-história das redes sociais, que chegariam dois anos depois.

Os dias se passaram normalmente, no final daquela semana, dormi na minha avó na sexta e fui embora com meu pai no domingo.

A semana começou normalmente, meu pai foi trabalhar e eu tava vivendo algo diferente, indo pra escola à noite, terceiro colegial, como fazia aniversário no inicio do ano, e já ter 18 anos, a escola me jogou pro horário noturno, era estranho ir pra escola sem precisar vestir uniforme e na minha sala tinha um monte de gente mais velha, pessoas que não puderam concluir o colegial, estavam fazendo naquele momento.

Na terça, (uma semana depois do feriado) ele chega do trabalho, e tinha o hábito de abraçar todos, ele faz o mesmo comigo, que já estava de saída pra escola, me perguntou quando o São Paulo ia jogar, falei que era só na quinta. Saí e fui pra escola. A aula acabou, volto e dou uma passada no quarto deles, minha mãe tava na cozinha e ele estava deitado assistindo TV. Não falei nada só o observei assistindo TV e fui pra sala. Na quarta-feira, ele passa mal no trabalho... em 96 ele havia tido um infarto que por muito pouco não foi fatal, naquela época ele fumava compulsivamente, depois daquilo, nunca mais acendeu um cigarro na vida, mas andava muito estressado com o trabalho, como já havia me dito no metrô.

Alguém o levou pro médico, onde ele havia tido um novo infarto, mas daquela vez tinha sido mais leve, tanto que ele estava andando e conversando como se nada tivesse acontecido, segundo relatou minha mãe, que tinha voltado do hospital pra pegar uma roupa, pois ele no outro dia iria precisar fazer um cateterismo, um procedimento pra desentupir uma artéria do coração. Meu irmão iria levá-la e ela me pergunta: " --Você quer ir?" Era por volta das 5 da tarde e eu se fosse teria que faltar na escola, e ali surgia o segundo efeito borboleta dessa história.  Simplesmente sem a menor explicação respondi: "Não, eu vou pra escola."  É fato que eu me apeguei no relato de minha mãe, que ele estava bem, iria fazer o cateterismo e voltar pra casa no dia seguinte. Meu irmão me disse depois que ele estava normal conversando normal, andando e foram até na lanchonete do hospital juntos.

Acontece que o dia de sua volta pra casa nunca chegou, no procedimento do cateterismo, ele teve sucessivas paradas cardíacas que o levou à óbito.

O que relatei sobre o efeito borboleta nas duas situações, foram escolhas não intencionais que fiz onde acertei e errei, comemoro e me penitencio na primeira e na segunda, respectivamente. Se eu tivesse dormido na minha avó naquele Carnaval, jamais teria passado aqueles momentos incríveis com meu pai que me lembro tão bem, com tanta felicidade.  Mas se tivesse respondido pra minha mãe que iria junto com eles pro hospital, teria um tempo final com ele, e acreditem, pra quem sente a falta dele todos os dias nesses 22 anos, aquilo me faria diferença ainda hoje. 
Infelizmente, meu pai não me viu em seus últimos momentos, eu não fui uma das últimas pessoas que ele viu, e essa culpa eu vou carregar até o dia que meu coração parar de bater.

O foda é que assim como o Phil em Modern Family, passei um dos melhores momentos com meu pai, sem ter a menor ideia que seriam os últimos. Talvez por algum capricho do destino, aqueles momentos precisavam ser a nossa despedida, e que assim como me culpo pela segunda escolha, vejo que a primeira foi uma das melhores que fiz na minha vida, sem ter a menor ideia em ambas, que iriam impactar tanto na minha história de vida até hoje.








quarta-feira, 8 de maio de 2024

Uma ideia de você


A todo momento que entrava no Prime, aparecia esse filme como sugestão, apesar de não ter lido nada sobre, a capa sugeria que se tratava de uma comédia romântica.

Comédias Românticas em linhas gerais, são filmes mais pra você curtir a jornada do que se importar com o final, pois é muito difícil fugir de um final previsível em filmes desse gênero.

O roteiro leve, a fotografia agradável e personagens interessantes me fizeram curtir essa jornada.

Anne Hathaway faz uma personagem na casa dos 40, dona de uma galeria de arte, divorciada, que precisa levar sua filha adolescente e seus amigos num festival de música Pop.
De uma forma um tanto quanto inusitada, ela dá de cara com um Popstar na casa dos vinte anos, que iria se apresentar nesse festival minutos depois. O moleque se sente muito atraído por ela e depois desse encontro, começa a tentar um relacionamento com ela. 

Claro que a trama passa a girar em torno do relacionamento deles, mas também mostra o enorme caos que se torna a vida dela, devido ao cara ser famoso, o etarismo das redes sociais e o bulling e preconceito que sua filha passa a sofrer na escola, por sua mãe estar com um cara vinte anos mais novo, milionário e famoso.

Apesar do clichê que todos os filmes do gênero carrega, o final até que não é tão previsível assim, e o desenvolvimento da trama foi muito bem feito.

Agora o curioso nesse filme, é ele apresentar uma personagem "coroa" interpretada pela Anne Hathaway. A minha geração foi ficando mais velha, vendo Diabo Veste Prada, Batman Cavaleiro Das Trevas, Interstellar e tantos outros filmes onde ela sempre foi a Crush de todo esse pessoal que acompanhava seus filmes ao longo dos anos. Vê-la numa prateleira diferente, interpretando personagens mais maduras é um choque de realidade pra uma geração que foi ficando também mais madura paralelamente.

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Você e o Mundo


O Mundo é um lugar hostil, você até se ilude com lampejos de felicidades, de êxtases, de prazeres, mas os arrependimentos, remorsos, angústias, te marcam como ferro quente na pele de gado.


Rocky Balboa no seu último filme da franquia, diz pro filho que “o mundo não é um arco-íris, é um lugar sujo e cruel, que não quer saber o quão forte você seja, ele vai te colocar de joelhos, e você ficará de joelhos se aceitar.. a vida não é sobre o quanto você bate e sim o quanto você apanha, o quanto você aguenta apanhar e seguir em frente”. Eu amo essa cena, coincidentemente o nome deste Blog é extraído dela. Mas este não é um texto sobre Rocky Balboa, é sobre quão terrível esse mundo é.


Você inveja a vida dos outros, as conquistas dos outros, a beleza dos outros, o corpo dos outros, a sorte dos outros, os bens materiais dos outros, a morte dos outros. 


Você odeia sua rotina, você evita se olhar no espelho, você se afasta dos amigos, você sente vergonha de si mesmo, você se sente um ser fora do padrão, você se sente um ser bizarro, você se sente um ser sozinho, você se sente angustiado, você se sente ansioso, você se sente impotente, você se sente incapaz.


Você quer que o mundo acabe, você quer fechar os olhos, adormecer e não acordar mais, você se pergunta o porquê com os outros e não com você, você quer ser livre de você mesmo.


Você já não tem esperança, você já não tem sonhos palpáveis, você já não tem vontade, você já não tem perspectiva, você já não tem coragem, você já não tem nada.


Você tem medo, você tem tristeza, você tem lágrimas nos olhos o tempo todo, você tem sofrimento, você tem ódio de si mesmo, você tem ódio da sua história, você tem ódio da sua trajetória, você tem ódio dos seus fracassos, você tem ódio do seu rosto, você tem ódio do seu corpo, você tem ódio da sua existência. 


Seu amor é inútil, seu desejo é inútil, sua vontade é inútil, suas palavras são inúteis, seu silêncio é inútil.


Ninguém se interessa por você, ninguém se importa com você, ninguém precisa de você, ninguém te quer por perto, ninguém quer rir com você, ninguém quer te tocar, ninguém quer te amar, ninguém te dar nada, ninguém te acha legal, ninguém te acha bonito, ninguém te acha atraente. 


Você já não se importa com suas conquistas de outrora, sua felicidade de outrora, suas risadas de outrora, seus beijos de outrora, suas transas de outrora, suas amizades de outrora, sua vida social de outrora.


Você está revoltado com Deus, você não quer fazer as pazes com ele, você vê ele terminar com a vida de pessoas felizes, jovens, produtivas, com dezenas de familiares e amigos que lhe amam… e se sente insultado, por não ter nada disso e não ter ido no lugar delas, se sente culpado por ver um destino cruel pra essas pessoas e você assistindo a toda essa injustiça de camarote… seu camarote inútil, vazio, desinteressante, triste, cheio de espinhos, frustrações e preguiça…


Você se questiona até quando tudo isso, você se questiona o que pode ser pior, você se questiona pra que continuar respirando, você se questiona quando vai ter o que merece, você se questiona pra onde vai quando tudo acabar, você se questiona o porquê veio pra esse mundo. Você se questiona o que poderia ter feito de diferente, você se questiona se vai se arrepender, você se questiona o que estão pensando de você, você se questiona o que ainda vão pensar de você.


Esse mundo existe, essa realidade existe, essa loucura toda existe, essa auto-piedade existe, essa clareza existe.


O Mundo deixou você de joelhos, e você não quer, ou prefere não se levantar, apenas espera pelo seu final, com total indiferença.







Minha hérnia de Disco

Há alguns meses, senti uma dor nas costas, comecei a tomar um analgésico, que fazia a dor passar por um tempo, mas ela voltava. ...