sábado, 31 de agosto de 2024

Cartas Para o Além Pt5

Quelzinha querida, essa é a terceira vez que menciono você neste Blog. Na verdade, o motivo de ter criado essa série de textos, Cartas Para o Além é muito por sua causa. Uma amiga me deu a sugestão de escrever uma carta, como se você fosse ler, comecei com outras pessoas, mas sabia que em algum momento, chegaria em você.

Tanta gente querendo, tanta gente merecendo, tanta gente precisando morrer, e a morte chega justamente pra você, minha amiga querida. Justamente pra quem lutou tanto pra ficar viva. Só a luta que você travou nesses cinco anos, já te fazia merecedora de continuar por mais algumas décadas.

Nesses cinco meses, é como se minha mente estivesse em um furacão de revoltas, tentando entender o motivo de você ter nos deixado. Já contei nossa história de amizade, no texto com o título Por que tão cedo? Mas a primeira coisa que me causa frustração e tristeza na sua partida é que poderia ter te aproveitado mais. Você sempre foi muito receptiva, sempre me tratou como um grande amigo. Tantas vezes que você veio aqui na Mooca e me mandou mensagens… quantas vezes você me cobrava pra marcarmos o nosso café? Eu no auge da minha imbecilidade de não querer ser visto por ninguém, sempre desconversava. Como fui otário.

Por que antes do dia 23 de março, eu não tentava falar contigo? Faço essa pergunta toda vez que vejo algo que aconteceu antes da sua morte. Algo que fiz e que poderia ter trocado e tentado conversar contigo.

Vou citar três aspas suas aqui, em três textos sobre morte de pessoas próximas á você, que encontrei no seu Facebook, que até o momento, segue ativo. Mas dia desses acabei printando a maioria dos textos que eu curti, que você publicou por lá, pois como disse no texto quando você partiu, sempre te tive como uma referência, alguém que sabia escrever com maestria. Então precisei fazer isso, antes que alguém ou a própria Meta tire suas redes sociais do ar. Assim como já aconteceu com seu WhatsApp. Sempre passava pela minha lista e via sua foto. Há uma semana, notei que já não tinha mais, e seu número aparecia como se fosse pra te convidar para o aplicativo. Aquilo me deu um aperto no coração, é como se uma porta tivesse fechada pra sempre. Uma porta de comunicação que sempre tivemos.

“Eu não sei lidar com a morte. Não sei. Se eu pudesse ter uma audiência com Deus eu pediria que essa cláusula final da vida fosse revista. É sempre triste. É sempre pesado. É sempre trágico, independente das causas e circunstâncias. É sempre inesperado…”

Esse foi um trecho de uma postagem sua em abril de 2015, sobre a morte de sua tia-avó. É louco como esse e como os outros dois trechos que postarei na sequência, se aplicam á você hoje. Pelo menos no meu sentimento sobre a sua partida.

Com o perdão do gerundismo, minha querida amiga, eu não estou sabendo lidar com a sua morte há pouco mais de cinco meses. 

É tão louco, que é como se tivesse com uma ferida aberta no meu consciente, e não tenho ninguém pra me ajudar a curá-la. Não existe tratamento pra isso. Ontem mesmo, eu vi um trecho de uma conversa antiga no Messenger, onde você me dizia: “ Você é um fofo, é edificante conversar contigo.” Já mais recente tem alguns trechos no direct do Instagram, respondendo que “também gosto muito de você.” Ou no WhatsApp: “Te adoro muitão, também”.

Isso é que tenho na memória, sem ir atrás de outros papos que trocávamos esses sentimentos de carinho e amizade que tínhamos um pelo outro. 

Tem um filme com o Will Smith, chamado Beleza Oculta. Personagem dele perde uma filha ainda criança, para o câncer. Ele fica devastado. Quando ela estava em tratamento, ele chegou a pedir para alguma força divina, que fizesse uma troca, levando ele e deixando sua filha, mas essas tais forças não lhe ouviram. 

Pensei nisso dia desses, eu tenho todos os fatores de risco que você não tinha pra ter essa doença. Mas quem teve as células mutantes foi você. É inexplicável! É como se estivéssemos na idade média em relação a doença que te levou embora. Pois não há um único motivo pra você ter tido isso e eu não. Você merecia viver muito mais tempo do que eu, minha amiga. Na verdade, mesmo três anos mais nova, você viveu muito mais que eu. A intensidade em que você sabia viver, eu nunca vou sequer chegar perto, mesmo que eu dure mais 50 anos. Mas assim como o personagem do Will Smith, eu trocaria minhas células saudáveis pelas suas. Não hesitaria em um único minuto pra tomar essa decisão lúdica. É questão de merecimento, Quelzinha. Você merecia ficar e viver muito mais do que eu.

Mas pra que essa carta dedicada à você, não fique somente no drama da tragédia, eu juro que tento me divertir lembrando das histórias engraçadas que me contava. Como poucos dias antes de descobrir o câncer, você correu atrás do motoqueiro que te levou o celular na rua da sua casa. A cena narrada por você no meu WhatsApp me fez chorar de rir no dia, você era hilária, até nesses momentos. Você disse que só não correu mais,  porque um senhor te parou em frente a um boteco achando que iria desmaiar.

E quando vinha me perguntar, ainda solteira, qual foto pra capa do Facebook era melhor. Você sempre confiou na minha escolha. Dizia que eu era o dono do seu fã-clube. 

Lembro das danças engraçadas que postava nos stories e no dia seguinte vinha dizer que só eu mesmo pra achar algo bonito naquilo. Dizia com a voz de deboche, tirando sarro de si mesma.

Mas também lembro dos textos que me mandava antes de postar. Como um dos exemplos, que fez sobre assumir a doença, meses depois de me contar como uma das pessoas próximas que você abriu a sua condição. Me lembro de ter dito que apesar da notícia horrível, me sentia honrado por ter confiado em mim, para falar algo tão íntimo e grave. Você só respondeu: “ Você merece, Renatinho mais querido do mundo.” Eu amava o jeito que você me tratava.

 E quando você acabava com quem tinha coragem de discutir contigo nos comentários e depois vinha me perguntar se eu achava que você tinha sido muito ríspida com o infeliz. Eu ria muito do quão bem você argumentava. Lembro de umas três vezes isso no meu próprio Facebook, onde você comentava algo e vinha alguém te contrariar. Eu adorava suas tiradas. E isso acontecia várias vezes na sua timeline também. Eu sempre dizia que queria morrer seu amigo,mal sabia eu, que o sentido dessa frase seria trocado. 

Dia desses comecei ver uma série que me indicou por áudio no whatsapp, voltando da academia. Eu nem me lembrava de tal indicação. 

Cara, por que eu fui notar que você era tão importante pra mim, só depois que você morreu? Puta que Pariu, como isso me dói. 

Eu me pergunto sempre, por qual motivo eu sinto tanto a sua ausência? Por que hoje que você não está mais aqui, eu sinto tanto o fato de não poder mais interagir contigo? É inexplicável pra mim.

Como disse num outro texto, eu te admirava pra caramba, era como um ídolo, e ser chamado de amigo por um ídolo era algo sensacional, um orgulho absurdo. Vou te agradecer pelo resto da minha vida, por você me considerar seu amigo. Ter conquistado sua amizade, foi um dos maiores acertos da minha vida.

Não posso dizer que minha vida mudou depois que você se foi. Mas posso dizer que ela jamais será a mesma. Esse ano terrível eu bati dois recordes. O de chorar mais. Nunca fui o tipo chorão, mas atualmente, choro sozinho, sem ninguém saber. E choro até hoje. E o outro é que li o maior número de livros num único ano e ainda estamos em agosto.

Também fiz algo que jamais imaginei. Escrevi um livro. Mais de quatrocentas páginas. Um romance água com açúcar, provavelmente você não iria gostar. Pensei em matar um dos personagens, só pra agradar sua vibe de historias criminais, mas fiquei com dó. Agora que peguei o macete, mais pra frente escrevo outro com a sua cara.

E as três coisas, são sim, por sua causa. 

“Não se prenda ao nosso choro, é apenas muita saudade, muito amor, muitas lembranças, mas nós ficaremos bem. Então, pode voar. Vai ter com Deus e Nossa Senhora, que eu sei que é uma filha muito amada.”

Esse é o trecho de um texto seu, publicado em setembro de 2018, sobre a partida de sua avó. É incrível que o que aconteceu contigo, me fez questionar sobre justiça divina e vida após a morte. É um nó na minha cabeça. Como posso encontrar alguma justiça no que te aconteceu? Você já sabe qual foi o sentido disso? Eu vou morrer me fazendo essa pergunta, minha amiga. Por que Deus quis assim? 

Será que você despertou em algum lugar? Será que você está em paz, alheia ao que está acontecendo por aqui? Será que você está vendo e sentindo todo nosso pesar, desde que despertou? Será que você está em algum lugar, ou sua consciência se apagou pra sempre quando parou de respirar? 

Eu sei de uma coisa, minha querida amiga, sei que você era querida demais, por muita gente. Sei que eu era um grão de areia na sua vida oceânica. Mas sei que fui um grão de areia que você agradeceu por te fazer companhia numa noite que estava com insônia em sua casa em Fortaleza, me chamando pra conversar no Messenger. Um grão de areia que sempre me mandava áudios com indicações de séries e filmes. Um grão de areia que você lia, curtia e comentava as resenhas de filmes recém lançados no cinema. Um grão de areia que te indicou duas séries de terror que você amou e que veio toda esbaforida me contar o quão havia gostado de Residência Hill e Mansão Bly. Um grão de areia que te convenceu a voltar assistir The Crown e que depois que terminou, a primeira coisa que fez foi me mandar áudio agradecendo por te fazer acreditar quão boa a série tinha se tornado. Um grão de areia que você selecionou entre todos o seus contatos, para contar sobre sua doença e que seguia me incluindo entre poucos, que mostrava a rotina do seu tratamento. Qual grão de areia não se orgulharia de ser escolhido dentre os amigos mais próximos, pra te ver guerreira daquele jeito?

Eu gostava tanto de ser seu amigo, Quel, que já me bastava ser esse grão de areia, na imensidão que foi a sua vida.

Outra coisa que preciso te dizer. Eu sigo no instagran uma amiga sua e sua irmã, pois me lembro que na época elas tinham o perfil aberto, sei que foi numa foto que marcou num post as duas há muitos anos e acabei seguindo, por elas terem o perfil aberto. 

E há um mês mais ou menos, vi um story dela compartilhando o story da sua outra irmã. Esse story era de aniversário se não me engano, de seu pai. Estava sua irmã gravando seus sobrinhos, sua outra irmã e seu marido, cantando parabéns. Nunca tive contato com ele, mas sempre me pareceu te tratar muito bem, lembro que você falava bem dele, me contou sua história justamente no dia do roubo do seu celular. Vê-lo em Fortaleza com a sua família, me fez abrir o sorriso, senti que ele estava ali te representando. A cena me deu um baita conforto no coração no dia.

Ainda falando sobre sua irmã, no dia que fez quatro meses, eu postei um story do clip de Now and Then, aquela música dos Beatles que foi lançada no final do ano passado. Postei com a legenda do trecho onde traduzida pro português, diz que “de vez em quando eu sinto sua falta”. Além da legenda traduzida que aparecia no vídeo, postei embaixo suas iniciais, 4 meses e um coração branco. Várias horas depois, sua irmã postou um story de uma foto de vocês três juntas, dizendo que a saudade só aumentava após esses 4 meses e o mesmo coração branco. Achei aquilo uma espécie de sintonia. Sua irmã nâo me segue, nem deve saber que existo. Mas achei aquilo de dentre todas as cores disponíveis pra um coração, postarmos a mesma, algo intrigante. Me pareceu uma espécie de sintonia, algo que pode ser visto como coincidência pra maioria das pessoas. Meu lado cético também não me permite acreditar em coincidências. 

Diferente de mim, você era religiosa, e acreditava em signos. Me disse há poucos anos que a gente combinava a maioria dos nossos gostos, porque éramos de aquário. Claro que achei aquilo, uma grande bobagem, mas depois que vi esses corações da mesma cor no meu e no story de sua irmã, fiquei imaginando se não foi uma peça que a senhora quis me pregar. Só pra zombar do meu ceticismo,  fazendo nós dois escolhermos a mesma cor de coração. 

Meu momento é bem estranho, eu acredito em nada e em tudo ao mesmo tempo.

“ O câncer só levou o seu corpo, sua presença é viva, e sua energia ainda dança por aqui, suave e alegre, como você."

"O legado de amor é a única coisa capaz de nos eternizar no mundo, e eu senti vontade de dizer para todos que, graças a isso, você vive - radiante - em mim.”

Eu retirei esses dois trechos justamente do início e final de um texto que você postou em junho de 2020, sobre o aniversário de morte de uma amiga sua de Fortaleza, falecida de câncer em 2018.

Impressionante como se enquadra perfeitamente pro momento atual, sobre você. Uma coisa que é muito difícil pra mim, é nesses quase dez anos que moramos na mesma cidade, não tivemos um único amigo em comum.  Além do meu terapeuta, falei de você pra uma amiga e um amigo, mais ninguém. Queria muito um dia conversar sobre você, com alguém que te conheceu, alguém que sabe melhor do que eu, o quanto você era foda, alguém que entenda exatamente o motivo de você me fazer tanta falta. Porque falar isso pra quem não te conheceu em vida, é diferente, e pra mim, difícil de traduzir em palavras o que é exatamente a sua ausência.  Mas pra quem teve contato contigo, entenderá muito melhor, o quão absurdo é conviver com a sua ausência. 

É triste até finalizar esse texto, queria continuar escrevendo eternamente. Talvez te escreva mais vezes, coisas que nâo me vieram em mente agora. Coisas que eventualmente aconteçam e que eu queira te dizer. 

Por mais difícil que seja aceitar isso, a vida é para os vivos. E é o que tenho que fazer enquanto estiver por aqui. Viver!

Mas se você de algum lugar, estiver lendo essas palavras que escrevo... por favor Raquelzinha, me espere. Seja lá qual for a forma que você esteja, um dia estaremos no mesmo plano novamente e eu gostaria muito de ter ao menos uma única conversa contigo sobre a história da nossa amizade. 

Não quero parecer presunçoso. Como disse antes, sempre me considerei um grão de areia na sua vida. Mas tenho a sensação que essa conexão que tivemos por aqui, não foi por uma simples obra do acaso. A dor da sua ausência, é algo que não sei explicar o motivo dela ser tão intensa, por isso jogo pro sobrenatural, a causa de tanto pesar. Talvez essa não tenha sido a nossa primeira vida que nossos caminhos se cruzaram. 

Nesses meses, eu já criei inúmeros multi-versos na minha mente, e você está muito viva em todos eles, minha adorada amiga.

Apareça mais vezes nos meus sonhos, eu vou amar te ver novamente.












sábado, 24 de agosto de 2024

Cartas Para o Além PT4


Meu pai querido, finalmente consegui escrever essa carta pra você.

No momento em que escrevo, fazem vinte e dois anos e meio que você morreu.

Foi um susto tão grande quando recebi a notícia, parecia mentira, ou um pesadelo. Na verdade, ainda parece, a sensação que ainda tenho, mesmo com tantos anos depois do ocorrido, é que você vai aparecer a qualquer momento na minha frente, perguntando sobre o São Paulo, ou me chamando pra ir almoçar na Vó.

Eu queria ter conversado com você antes do seu cateterismo, sabe? Queria ter sido uma das últimas pessoas que você viu em vida. Mas não entendo até hoje, como não estive presente naquele dia. É como se não tivesse noção do risco que você corria, e não dei a devida importância para aquele momento. Se pudesse voltar no tempo, tentaria me despedir. Te dizer o quanto você foi importante pra mim, o quanto aqueles dezoito anos que tinha na época, foram incríveis por ter você sempre ao meu lado. Mas quis o destino que você fosse embora sem dar tchau. 

Quando me dei conta, você estava deitado num caixão, na Quarta Parada, onde fui contigo tantas vezes em enterros de parentes. Nunca tinha passado pela minha mente, até então, estar presente no seu velório. Que coisa horrível,  que situação tenebrosa te ver daquele jeito. Encostei a mão no seu rosto e só ali percebi que você, que sempre foi a pessoa mais importante pra mim, não tinha mais vida. Senti o frio que seu corpo estava e desabei a chorar. Vi até o momento em que desceram seu caixão até o túmulo, mas não vi fecharem a campa. Preferi olhar pra outra lado e sair de perto.

Você foi a primeira e possivelmente a minha maior perda da minha vida.

Naqueles últimos dias em que você esteve por aqui, nós três notamos algo diferente em você. Parecia que você vinha sentindo o que iria acontecer contigo. Você teve algum sinal, alguma premonição ou foi só uma impressão nossa?

Queria saber como você acordou, o que viu, o que sentiu. Tinha algum rosto conhecido por perto? Lembro que você dizia que gostaria muito de rever sua avó Rita depois que morresse. Foi ela? Seu avô Laurindo também já tinha falecido quando você foi embora. 

Pelo jeito, você lutou bastante pra ficar, não queria ir naquele momento. A equipe médica nos disse que você chegou a ser reanimado quatro ou cinco vezes. Foi e voltou tantas vezes assim, provavelmente não estava aceitando aquele destino. Destino longe de nós.

Semanas depois você apareceu num sonho, parecia tão real. Sua aparência estava boa, seu olhar e seu gesto de que tudo ficaria bem, nunca saíram da minha memória. Você sempre aparece nos meus sonhos, nunca se ausenta por muito tempo. A maioria dos sonhos, eu não me lembro, mas sempre acordo sabendo que você esteve presente em alguns minutos do meu sono.

O mais marcante foi o que registrei num outro texto, você me disse que estava sempre comigo, e assim como em grande parte deles, eu tinha a consciência de que você estava no mundo dos mortos.

Mas falando nisso, você recebeu todos? Depois que você se foi, o Vô foi o primeiro. De todos nós, ele foi o que teve a pior reação. É como se tivesse numa depressão, onde parecia estar num sentimento de extremo remorso.

Conseguiram se entender por aí? Espero que sim. Não quero chegar e ver a mesma situação que via antes.

E a Vó? Deve ter sido um reencontro tão lindo de vocês dois. O amor que sentiam um pelo outro era tão forte, que devem ter ficado muito felizes ao se verem nesse plano. Ela me disse que a sensação que tinha depois que você morreu, era como se tivessem tirado um pedaço dela. Mas o sofrimento dela me parecia diferente, é como se ela tivesse a certeza de que logo estaria com você novamente. 

E a Tia Santa? Ela ficou tanto tempo por aqui, que é muito estranho viver na ausência dela, sabe? Mas ela estava triste em seus últimos anos. Sentia muita falta da Vó, principalmente. Espero muito que ela esteja aí contigo, contando suas ótimas história.

Sabe o que não entendo? Por que você foi tão cedo. Por que você não viu a câmera digital? A explosão das redes sociais? O São Paulo ganhar a terceira Libertadores , o terceiro Mundial, o Tri brasileiro seguido.

Fico imaginando como estaria minha vida, se você ainda tivesse por aqui, nos seus 66 anos. 

Você estava comigo em Londres? Me viu atravessando a Abbey Road nos três anos seguidos? Queria tanto que tivesse comigo naquela cidade.

Ainda vou pra Málaga, onde você sonhava conhecer. Apesar de não gostar tanto da Espanha quanto você, eu preciso pisar naquela cidade. Você tinha esse sonho e não teve tempo de realizar. Pelo jeito, tempo é o que mais tenho por aqui.

E nos dois shows do Paul McCartney? Poxa pai, nas duas vezes eu me lembrava tanto de você durante o Show. Imaginando você ali. Continuo mais fã do que nunca dos Beatles. Um legado que você me deixou pelo seu ótimo gosto musical.

Hoje eu já tenho 40 anos, meu pai. Não sei quanto tempo ainda me resta. Se eu morrer com a sua idade, me restam menos de 3 anos. Se morrer com a idade do Vô,tenho por volta de 35 anos pela frente. Se for com a idade da Vó, tenho um pouco mais de 42 anos. Ou se conseguir viver até a idade que a Tia Santa chegou, ainda me restam 50 anos.

Independente de quanto tempo ainda tenha, você é a pessoa que mais quero abraçar aí neste plano, nem quero saber onde você está, onde vamos nos rever. Só gostaria de ser recebido por você, que esteja presente na hora da minha passagem. Me espere, meu pai, é o que te peço.

Enquanto meu coração tiver batendo, eu sempre vou me lembrar de você com muita saudade e muito amor.

Você foi muita coisa pra mim, meu herói, meu exemplo… meu tudo. Incrível que só esteve por aqui, nos meus primeiros 18 anos de vida, já vivi mais do que isso desde que você partiu. 

Apesar de sentir muito a sua falta, também sinto gratidão por ter vivido esse tempo contigo, foi um enorme privilégio. 

Volto aqui mais vezes pra escrever pra você. Espero que continue aparecendo nos meus sonhos.

Eu te amo, meu pai querido!😍

sábado, 17 de agosto de 2024

Do Mundo Não se Leva Nada


Esse texto não estava previsto, mas é necessário. 

Silvio Santos foi o maior comunicador da minha geração. 

Numa época onde a televisão era o meio mais relevante. 

Era um criador de conteúdo, o que chamamos hoje de influencer. O maior da história. 

Cresci assistindo Show de Calouros, Topa Tudo Por Dinheiro, Qual é a Música, Show do Milhão, Troféu Imprensa, Casa dos Artistas, Em nome do Amor, Tentação.

Um gênio que criou outros programas que ele não era o apresentador, casos de Programa Livre, Jô onze e Meia, Passa ou Repassa, Domingo Legal, e muitos outros.

Vá em paz, Silvio Santos.

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

A Certeza Do Nunca Mais


Esse ano tem me feito refletir muito sobre o final de todos nós.

Desde que nos damos conta da nossa existência no mundo, tomamos ciência da nossa finitude. 

Vivemos como se ela não existisse. Vivemos como se fossemos imortais. Só pensamos na morte, quando perdemos alguém muito querido ou quando estamos em risco de vida.

A morte é implacável, ela não te dá uma segunda chance. Por maior que seja a sua fé, a partir do momento em que você morre, não tem mais jeito. Impossível reverter. A vida é tudo que conhecemos, mas ela é passageira, uns ficam mais, outros ficam menos, mas mais cedo ou mais tarde, a morte vai te encontrar. 

Com a morte você não negocia. Ouvimos em boa parte da nossa vida, jargões e clichês como: “ fulano escapou da morte” “Ciclano conseguiu sobreviver “ a verdade é que a única coisa que fazemos nestes casos, é adiar a morte. 

Quando dizem que você deve aproveitar a sua vida, é porque ela é muito curta. Ela de fato é passageira, diferente da morte, que é eterna.

Um dia ouvi minha avó me dizendo que era pra eu estudar, pra ser alguém na vida, porque: “A Vó vai pra outro mundo, e você se não estudar, vai ficar aí reclamando da vida por não ter dinheiro.”

Também me lembro de ter ouvido meu pai falando: “ Nessa vida, temos que acreditar em alguma coisa, um dia eu não vou estar mais aqui e você precisa se apegar em algo que tenha fé.”

Quando minha querida amiga Raquel se recuperou do câncer,  ela fez algumas lives pra algumas páginas do Instagram, naquela época da pandemia, além de algumas outras na página que criou chamada Oncomum. Mas numa dessas lives ela diz: 

“Quem morre é o câncer, a pessoa lutou tanto, resistiu tanto, que jamais morrerá! Vai ficar eternizada no coração de todos pelo seu legado.”

O que essas pessoas têm em comum, é que as vi falando abertamente sobre a morte, e hoje estou aqui, ainda vivo, registrando suas impressões sobre a morte, num momento em que não tinham ideia de quando iriam morrer. 

Existe o dilema sobre a morte, onde questiona se ela é pior para quem vai ou para os que ficam.

Eu posso dizer que depois de ver tanta gente querida morrer, nesses meus quarenta anos de vida, ela é terrível para quem fica. Dilacerante, pesadíssima, torturante. 

A morte é muito clara, não deixa dúvidas sobre sua presença, seja quando ela tiver que chegar. Mas ao mesmo tempo, ela é misteriosa. O maior mistério da nossa existência. Qual o nosso destino depois dela chegar? 

Tudo vai se apagar e nossa consciência jamais será acordada? 

Nascemos numa vida nova, logo depois que morremos? 

Acordamos num lugar sombrio e aterrorizante para pagarmos nossos pecados cometidos em vida? Ou despertamos em um lugar lindo, calmo, com anjos tocando arpas, para reencontrarmos as pessoas que fizeram parte da nossas vidas? 

A morte te faz acreditar no céu, no paraíso, no inferno, no umbral.

Particularmente, não tenho medo de morrer, na pior das hipóteses, morrer é o mesmo que antes de nascer. Nosso cérebro não consegue imaginar o que é o “nada” após a morte. Minha torcida é que possa acordar ou até ser acordado por algum dos vários entes queridos que já foram para o lado de lá. Seria o ideal.

Mas a pior parte da morte, é a certeza do nunca mais. Nunca mais vou ouvir a voz rouca da minha avó puxando papo comigo.

Nunca mais vou ser acordado pelo meu pai com travesseiradas num final de semana para ir almoçar com ele.

Nunca mais vou ter longas conversas com a Raquel sobre séries, filmes, política, ou qualquer outro assunto. 

Nunca mais vou ouvir as histórias da Tia Santa sobre nossa família.

A morte é a certeza de que não somos nada. É a ausência permanente. Quando todos que te conheceram em vida, também morrerem, ninguém vai ter qualquer tipo de memória sobre sua existência. 

A morte é isso, ela é o ponto final. Ela interrompe o futuro, acaba com a história de todos.

A grande maioria das pessoas acreditam na vida após a morte, por não aceitarem que a morte é o final de tudo. O conforto é ter fé que a pessoa que morreu esteja em algum lugar que ainda não conhecemos, mas que iremos de encontro, quando a nossa hora chegar.

Apesar de não ter medo, não acho que a morte deva ser romantizada. Por mais conflitantes que sejam meus pensamentos sobre esse tema, prefiro acreditar que nascemos e morremos por algum motivo, não acredito em coincidências. E se tive o privilégio de nascer, quem sou eu pra querer morrer? Quem sou eu pra buscar a morte? Ela que faça o trabalho dela! Eu sei que não vou conseguir fugir. Mas também não quero ir de encontro a ela. 

Mesmo sabendo que a nossa eternidade mortal chegará, viver é o que nos resta. As poucas décadas que temos, são pra serem vividas, deixemos a morte pra eternidade. 

A vida é a nossa realidade do presente.

A morte nos deixará no passado, mas ela é o futuro para todos nós!




sexta-feira, 9 de agosto de 2024

O Blog já completou um ano de existência


Com quase sessenta postagens, mês passado esse blog fez um ano de existência. 

Na verdade, eu tinha criado um Blog há mais tempo, e cheguei a postar alguns textos, numa plataforma chamada pingback.  Depois de um tempo, a plataforma deixou de ser grátis, aí resolvi criar este novo e tenho conseguido mantê-lo ativo desde então.

Deixo aqui registrado muita coisa do que sei de meus antepassados, talvez algum dia, esses posts sejam úteis para algum familiar do futuro, que se interesse pelo passado de nossa família.

Também posto coisas sobre futebol, geralmente São Paulo e Seleção Brasileira. 

Fora meus Hobbies preferidos, como filmes, séries e música.

Ele serviu também como desabafo, coisas que eram difíceis de falar, que foram mais fáceis de escrever.

Meu hábito aqui é escrever um texto por semana, nunca fiquei mais de uma semana sem postar. Mas já escrevi mais de um texto por semana. 

Continuarei com ele ativo até quando tiver vontade, pois é algo que gosto de fazer e já não tenho mais vontade de postar nada em redes sociais. Por isso o Blog me serve dessa forma.

Pouquíssimas pessoas sabem da existência dele, e deve seguir assim, também até quando tiver vontade.

Como disse em seu primeiro texto do seu Blog, a minha ídolo, referência, saudosa e grande amiga Raquel: " Escrevo muito mais para me ler, do que para ser lida." 
E comigo é a mesma situação, não preciso e tão pouco tenho vontade que outras pessoas leiam o que escrevo aqui. Aliás, a ideia de ter este Blog, foi totalmente inspirado no Blog da querida Quelzinha, que ainda está no ar, até este momento que escrevo este texto.

Os próximos três textos, que postarei aqui, serão bem pesados. Talvez não tanto para quem o leia, mas bastante para quem o escreveu. Então achei por prudência, fazer este texto bem leve nessa semana, sobre o primeiro ano de existência desse meu Blog.

Keep Moving Foward!

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

As Curiosidades da minha genealogia PT9


A foto é meramente ilustrativa, que criei em um app de IA. 
A história que contarei hoje é sobre a senhora Anna Maria de Jesus. Nascida na cidade de Itu/SP em 1760. Falecida em 1810.

Ela está na linhagem de meu bisavô Laurindo, e minha trisavó Elisa. Comentei em textos anteriores que os meus antepassados mais longevos que conseguimos encontrar até o momento, estão nessa linhagem. 

Anna Maria de Jesus, era escrava de Máxima Joaquina Da Anunciação. Por enquanto, há um ponto cego na história, uma vez que ela deu a luz ao seu filho Manoel Joaquim Inglês em 1787. Mas seu filho foi alforriado por um senhor inglês e em seu registro, seu pai consta como  incógnito.

Presumi-se então,  que Anna Maria teve um filho desse senhor inglês, que ainda não temos de fato o nome mencionado. A alcunha recebida por Manoel Joaquim, seria justamente por ser filho e por ter sido alforriado por ele, mesmo que não seja registrado como filho.

O ponto cego é ainda mais misterioso, se Maxima Joaquina era esposa deste senhor inglês, uma vez que era a dona de Anna Maria. Ou se ambos foram separados pelo comércio de escravos, existente e muito comum na época, apesar de extremamente monstruoso.

Dona Anna Maria teve ao menos mais um filho além de Manoel, chamado Thomaz.

Fato é que chama atenção a alforria de Manoel Joaquim, ter sido por este senhor inglês, enquanto provavelmente, Anna Maria seguiu sendo escrava pelo resto de seus dias.

Deixo aqui esse registro pela memória de  meus antepassados Anna Maria e seu filho Manoel Joaquim, que sobreviveram a uma época onde foram vítimas dessa monstruosidade chamada escravidão. Agradeço por todos nós que viemos depois deles, por resistirem, mantendo e contribuindo para o ciclo da história de nossa família.

Minha hérnia de Disco

Há alguns meses, senti uma dor nas costas, comecei a tomar um analgésico, que fazia a dor passar por um tempo, mas ela voltava. ...