sábado, 27 de janeiro de 2024

As Curiosidades da Minha Genealogia Pt7


Minha avó Olivia, que está nessa foto, junto comigo, meu Tio Arlindo, sua esposa Maria e meu primo Claudinei, nasceu em Jaboticabal em 1916.
Como mencionei no texto anterior, Vó Olívia se casou com meu avô Marcílio em 1933, em Jaboticabal. 
Era filha do casal Benedito Dos Santos e Umbelina Rodrigues Dos Santos.
Ambos tiveram seis filhos, conheci dois deles, Sebastião, na época que o conheci, ele era um senhor careca, de bigode, dono de um bar na cidade de Jaboticabal, ele se casou com Geracina  e  tiveram oito filhos pelo menos. Lembro também de Joaquim, um senhor alto, bem magro, negro bem retinto e com um bigode fininho. Quando minha avó morreu, lembro dele no velório, ele tinha uma perna amputada naquela época devido a diabetes avançada. Não sei muito sobre os filhos de Joaquim com Ziza, sua esposa, minha mãe contou que tinham uma filha chamada Fátima que sumiu no mundo, de um dia pro outro desapareceu.  Como não tenho foto deles e das pessoas que citarei aqui, deixo como ilustração as fotos criadas por IA.

Os demais irmãos de dona Olivia eu não conheci, mas assim como fiz com todos os meus tios avós, também vou registrar o que encontrei sobre eles. 
José Dos Santos, nasceu em 1913, em Jaboticabal. O que minha mãe me contou foi que segundo minha avó, José jogando bola acabou levando uma bolada muito forte no estômago e que gerou uma enfermidade que não foi tratada na época, ele ficou doente, foi pra São José dos Campos, ficou internado por um tempo e morreu, sem a presença de ninguém. Uma história com um triste final, se realmente foi dessa forma.
Santina Dos Santos, não tenho datas de nascimento e falecimento, soube que ela ainda jovem, veio para São Paulo, se tornou freira, vivendo em um convento localizado exatamente onde hoje é o cemitério da Vila Formosa. Santina faleceu de Tuberculose nos anos 50 e minha avó um tempo depois tentou buscar informações sobre ela, mas não encontrou nada, uma vez que o convento já tinha dado lugar ao cemitério.

Donária Dos Santos nasceu em 1909, teve uma filha chamada Justina em 1943, no documento que localizei, o pai estava registrado como desconhecido.
Não encontrei o óbito de Donária, mas sim o de sua filha Justina, falecida de Tuberculose com apenas 8 anos em 1951, no documento, além de mencionar o Pai desconhecido, menciona que Donária também já era falecida.

Falando sobre minha avó Olívia agora, ela era uma pessoa muito agradável de ter por perto, falava alto, com  um sotaque bem característico do interior de São Paulo.Não sabia ler nem escrever mas mesmo assim pegava transporte público pra ir na casa dos filhos, não parava nunca em um único lugar por muito tempo, gostava bastante de ver a família reunida. Já contei em outros dois textos sobre sua sogra que lhe tratava muito mal, mas ela era daquelas mulheres que impunham respeito. Nunca vi ela brigando ou batendo em neto nenhum, mas nós tínhamos um respeito enorme por ela, todos nós tínhamos que lhe pedir bença, e ela sempre respondia "Deus te abençoe". Um fato curioso que minha memória gravou sobre ela, foi um dia no quarto da minha mãe, ela entrou e me viu no chão brincando de alguma coisa, olhou pra estante e viu uma daquelas gravuras que fazíamos na escola com cartolina e porpurina colada, escrito Feliz Natal. Acho que foi meu irmão quem tinha feito aquilo e deixou na estante do quarto da minha mãe. Ela olhou aquilo e me perguntou: "O que tá escrito aqui? Feliz NataR" a cartolina era preta e vermelha e talvez tinha algum desenho que remetesse ao Natal, além do escrito com porpurina colada, mas ela completou depois que eu confirmei que sim: " Eu sei algumas letras, só não sei juntar elas."  Eu deveria ter uns 10 anos nessa época, mas gosto de me lembrar desses momentos, queria ter tido mais tempo de convivência com ela. Dona Olívia faleceu em 1998, com 78 anos, em São Carlos, de causa indeterminada. Pra mim foi um baita erro médico que não quiseram investigar. 

Seus pais eram Benedito e Umbelina, como disse no início.  Benedito nasceu em Caçapava em 1887, segundo meu tio Athayde que o conheceu, ele era branco, e magro.  Faleceu em 1953 em Jaboticabal,  segundo seu atestado de óbito, teve uma morte repentina, sem assistência médica. Isso dá a entender que provavelmente morreu de infarto, dormindo ou teve um mal súbito sem oportunidade de ser socorrido.
Já Umbelina, nasceu em  1891, em Araraquara,  segundo meu tio Athayde, ela era negra bem retinta, há uma foto que está no meu primeiro texto, onde estão minha avó, minha mãe criança e uma outra senhora que era a irmã de Umbelina, chamada Henriqueta, e de fato ela era negra mais retinta que minha avó Olívia. Tio Thayde chegou a me dizer que ouviu que ela era neta de "Bugra" na época esse nome era referência de Índios de pele escura. No atestado de óbito de Umbelina, consta o nome de sua mãe (Maria) e seu pai, mas não há menção sobre origem indígena. Ela faleceu em 1951, assim como sua neta Justina de Tuberculose. Toda essa pesquisa  sobre essa parte da família, me fez refletir que o início do anos 50 deve ter sido muito difícil para minha avó,e os demais parentes e ancestrais, pois a tuberculose levou duas irmãs, uma sobrinha e sua mãe. 

Que todos estejam em paz.

sábado, 20 de janeiro de 2024

As Curiosidades da Minha Genealogia Pt6


Nessa parte vou detalhar o que sei sobre a minha genealogia do lado materno. Como disse no primeiro texto que escrevi neste Blog, graças à Deus minha mãe é viva, e geralmente falo nesses textos só de quem já morreu, mas de qualquer forma, minha mãe é a pessoa mais importante que tenho na vida, é uma guerreira, incansável, que faz o que for preciso pra ver seus filhos bem e felizes. Em um outro texto somente sobre ela posso detalhar melhor.

Mas falarei sobre o lado do meu avô Marcílio Moraes, nascido em Jundiaí em 21/10/ 1911. Minhas lembranças sobre ele são de Flashs,  essa foto aí por exemplo, eu lembro de pedir pra ver o radinho que ele sempre segurava e ele deu na minha mão. Lembro dele em casa, sentado no sofá assistindo televisão enquanto eu estava no chão com algum brinquedo. Ele faleceu em 9/6/1989, eu tinha 5 anos, uma pena ter tão pouca memória dele, sei que ele queria muito que eu fosse corinthiano, chegou a comprar uma camisa do Corinthians infantil e pediu pra minha mãe vestir em mim, existia uma foto disso, mas nunca mais vi essa foto por aqui. É óbvio que meu pai jamais permitiria que um filho dele não fosse São Paulino, mas pelo que meu pai dizia, meu avô gostava muito de mim e do meu irmão. 

Seu Marcílio se casou em 1933 com minha avó Olivia, tiveram 12 filhos, 2 morreram recém-nascidos, então eles eram em 10 irmãos, os dois mais velhos já faleceram, Arlindo e Alípio. Tio Arlindo era um negrão alto, parecido com minha avó e os irmãos dela. Tio Alípio já era mais baixo, lembrava um pouco mais o meu avô, com a pele mais clara, lembro que fui em 2013 à Jaboticabal, um ano antes dele morrer, e ele já estava muito velhinho, lembrava muito meu avô Marcílio. Ainda sobre a vida pós casamento, eles todos moravam em Jaboticabal/SP , meu avô trabalhava há muitos anos na Usina Santa Adélia, mas o que consegui juntar das histórias que me contaram, é que o marido de uma tia minha teria montado um açougue na Capital e convenceu meus avós no início dos anos 60 a se mudarem pra São Paulo. Arlindo e Alípio que já eram casados na época, permaneceram em Jaboticabal, enquanto o restante da família migrou pra São Paulo. Minha mãe me contou que esse tal projeto de açougue era uma bela furada, Tia Rita tempos depois foi embora pra São Carlos/SP com esse meu tio, enquanto os demais continuaram na Capital. Meu avô acabou trabalhando na construção civil, chegou a trabalhar em várias construções de pontes e viadutos que estão por aqui até hoje. Quando a idade não lhe permitia mais fazer esse tipo de serviço, passou a trabalhar como sorveteiro, daqueles que empurrava um carrinho pela rua e saía vendendo. Tempos depois, com seus filhos todos casados, meu Tio Arlindo construiu uma casa pros meus avós em Jaboticabal, e ele morou por lá o resto da vida, vindo vez ou outra pra São Paulo.

Seu Marcílio era filho de Leopoldo Moraes e Benedita da Conceição.  O casal teve três filhos. Um deles era o Jorge Moraes, nascido em 15/07/1910, em Guariba/SP, ainda não encontrei informações sobre seu óbito, mas creio que tenha falecido antes de meu avô. Minha mãe se lembra bem dele, dizia que Jorge tinha em sua casa um pé de Jaboticaba e ela e seus irmãos subiam na árvore pra colher as frutas. Jorge foi casado com Maria Pires e tiveram quatro filhos. Quando criança, conheci uma delas, Maria Brahimas, em uma dessas viagens que fazíamos à Jaboticabal nos anos 90. Como não tenho foto de Jorge, criei uma em IA, apenas para ilustrar o texto.

O outro irmão era Salvador Moraes, nascido em 1908, em Jaboticabal/SP. Até começar a pesquisar minha àrvore genealógica, eu não sabia da existência dele. Um dia em uma dessas pesquisas no FS, encontro um atestado de óbito com seu nome, em 30/07/1929, em Jaboticabal, com o nome exatamente igual aos pais de seu Marcílio e o seu sobrenome também chamava a atenção.  Pela data, era muito claro que se tratava de um irmão de meu avô, falecido com 21 anos, e a causa da morte chamava mais atenção: Peritonite por ferimento à bala. Mostrei o documento pra minha mãe, que não sabia nada sobre Salvador, mas se lembrava que seu pai tinha sim um irmão mais velho que já era falecido, na hora concluímos que poderia ter sido uma briga de bar, ou Salvador era um fora da lei, como no atestado de óbito cita que ele era casado, poderia ser até briga por talaricagem que resultou nessa tragédia.
Mas como aquilo me deixou curioso, um dia numa conversa meu tio Athayde, um dos mais velhos que está vivo entre os 10 irmãos, sem que eu falasse sobre Salvador, ele contou que meu avô tinha um irmão mais velho que faleceu muito jovem vítima de um disparo acidental de uma espingarda. Na época Salvador caçava coelhos nos matagais de Jaboticabal,  e ao limpar a arma, um tiro acidental acertou sua barriga. No óbito, dá a entender que ele chegou a ser socorrido e faleceu no hospital. Que morte idiota, já era casado, não encontrei informações sobre sua esposa e se tinha filhos. Mas também criei uma imagem em IA pra deixar registrada a memória de Salvador.

O que sei sobre Benedita e Leopoldo? 
É o elo mais fraco da minha árvore esse do meu avô Marcílio, um dos últimos avanços que tive, foi sobre os pais deles, Benedita Da Conceição era filha de Joaquim Ferreira e Maria Ferreira. Minha mãe que é uma das mais novas entre os irmãos não a conheceu, mas meu tio Athayde se lembra bem dela, já idosa. Lembro de um dia ver minha avó Olivia contar pra alguém na casa da minha tia, o quanto dona Benedita lhe maltravata. Lembro bem das palavras da Vó Olivia dizendo que dona Benedita dizia as seguintes palavras: " --Meu filho namorou com hungarenha, e agora tá casado com essa macaca." Lembro de ouvir minha avó contando com um tom cômico sobre essas nojentas injúrias raciais que recebia. Falarei da minha avó Olívia numa outra parte, mas mesmo sem dizer nada, quando ouvi minha avó contando isso, pensei, "Nossa, que velha filha da puta, essa mãe do vô Marcílio." 
Minha mãe contou que apesar de não se lembrar dela, um dia quando criança ainda em Jaboticabal, estava com minha avó e ela apontou um velhinho que era espanhol,  e minha avó Olivia disse que era o segundo marido de dona Benedita. Ela teve outros dois filhos com esse senhor, ainda não sei nada sobre esses outros dois irmãos por parte de mãe que meu avô teve. Na verdade sei de um deles, minha avó o visitava em um manicômio nos anos 70, aqui em São Paulo,  não encontrei nada documental até agora,mas o chamavam de Batista. Voltando a dona Benedita, como em genealogia, ao não termos os dados corretos, fazemos raciocínio lógico e deduções, é bem provável que ela tenha falecido em meados dos anos 50.

E Leopoldo? Aí é pior ainda, apesar de ter encontrado um documento que mencionava o nome de seus pais, (Antônio Firmino Moraes e Anna Raphael) não tenho até o momento informações de seu nascimento e óbito.  Seu nascimento deve ter sido por volta de 1885, perguntei ao meu tio Athayde se ele se lembrava de ouvir algo sobre Leopoldo e ele disse que não.  Tudo sobre Leopoldo é na base da dedução, é um quebra-cabeça incompleto. No atestado de óbito de seu filho Salvador, está descrito que seus pais Benedita e Leopoldo residiam em Jaboticabal/SP em 1929. Ou seja, Leopoldo era vivo quando Salvador morreu. Na certidão de casamento de meu avô Marcilio e minha avó Olivia, consta a informação que sua mãe Benedita da Conceição residia em Jaboticabal/SP e que Leopoldo Moraes já era falecido.
Ou seja, pela lógica dos dois documentos, Leopoldo morreu entre 1929 e 1933. Saber mais sobre Leopoldo é um dos motivos de continuar pesquisando sobre a história de meus ancestrais. Será que ele já era velho quando conheceu Benedita e morreu já numa idade avançada? Ou será que morreu jovem como meu pai? Por enquanto é uma pergunta sem resposta. Deixo abaixo uma foto que criei em IA, de Leopoldo e Benedita pra finalizar esse texto.

sábado, 13 de janeiro de 2024

As Curiosidades da Minha Genealogia Pt5


Nessa parte 5, eu fecho (por enquanto) o meu lado paterno, vou falar um pouco do que sei sobre meus bisavós Francisco e Rita. Já vi fotos dos dois juntos, mas não as encontrei, então deixo as duas com eles sozinhos.

Já falei aqui sobre um dos meus antepassados, Manoel Joaquim Inglês, que provavelmente era filho de um senhor inglês. E também falei da dona Jacinta Quintina, que também é muito provável que nasceu na Itália. Mas certeza mesmo, de quem atravessou as fronteiras de seu país pra fazer a vida no Brasil, são os dois que falarei abaixo.

Começo pelo meu bisavô, Francisco Reyes Moyano, nascido em 08/01/1883 na cidade de Málaga, Espanha.
Há mais de um ano eu tento encontrar alguma informação sobre ele na Espanha, seu pai se chamava José Reyes Najarro, e sua mãe Maria Moyano Villalobos.
Conforme consta no registro de desembarque no Porto de Santos, Francisco chegou com sua mãe e duas irmãs Joana Reyes e Maria Reyes Moyano no dia 14/03/1914, ele tinha 29 anos.
Infelizmente até o momento não encontrei nada sobre elas, então como em genealogia nós trabalhamos com raciocínio lógico e dedução quando não temos ainda uma confirmação dos fatos, é provável que seu pai nessa época já era falecido e como a Espanha passava por problemas econômicos, além de uma iminente primeira Guerra Mundial à vista, a informação que minha tia Santa me falou, parece ser verdadeira, ele veio fugido da Guerra, com as pessoas que restavam de sua família. Nessa época, a história dele é similar a de vários imigrantes que chegavam no Brasil pelo porto de Santos, ficavam um tempo hospedados na hospedaria do Brás, que hoje é o Museu da Imigração, e após um determinado período era enviado a alguma cidade do interior de São Paulo pra trabalhar em alguma fazenda como lavrador.
Se levarmos em consideração que os filhos mais velhos dele com minha bisavó Rita, nasceram em Jaú, imagino que foi lá que se conheceram por volta de 1918. Vi em um documento que eles se casaram em Agudos/SP, mas a data de casamento foi ignorada. Me lembro que perguntei pra minha tia Santa como o pai delas tinha falecido. Ela disse que seu pai faleceu em casa, com seus filhos ao redor da cama. 
O atestado de óbito que tenho aqui, indica que Francisco faleceu em 26/09/1946, aos 63 anos, de uma infecção intestinal. Queria ter perguntado mais sobre ele para minhas tias e minha avó, mas infelizmente, elas já não estão mais por aqui e os primos mais velhos que estão por aqui, não o conheceram. Fiz uma foto de IA pra ilustrar como seu Francisco deveria ser lá em 1914 quando chegou a Brasil.

Agora falando sobre dona Rita Lopes Bravo Moyano, nascida em 1889, infelizmente não tenho a data exata, mas também foi na cidade de Málaga, Espanha.

Diferente de seu marido, não localizei em qual Navio ela desembarcou, mas seu documento de permissão de estadia no Brasil, menciona que ela desembarcou em 15/09/1905 no Porto do Rio de Janeiro, com sua irmã Maria Lopes Bravo Grado. Assim que localizei esse cartão de minha bisavó, na sequência estava o cartão de Maria, com a mesma data, o sobrenome Grado é italiano e é muito provável que sua irmã já veio de lá casada com um homem possivelmente italiano com esse sobrenome. Mas isso não passa de uma dedução ainda. Elas eram filhas de Antônio Lopes González  e Joana Bravo Plaça. 
Sei que minha Tia Santa contou uma vez que eles deixaram a Espanha pois tinham um irmão com a idade de servir o exército e somado a condição econômica ruim do país, eles fugiram da Espanha pro Brasil. Não encontrei nada sobre esse irmão e nem de seus pais, se vieram juntos ou se mandaram Rita com 16 anos esse irmão com 18 e essa outra irmã possivelmente já casada para tentar a vida no Brasil sem seus pais. É uma história que ainda quero fechar o quebra-cabeça, pois ainda tenho mais perguntas do que respostas. E mais uma vez lamento o fato de ter tido tantos anos pra perguntar essas coisas pra minha avó e minhas tias e não me interessava por esse assunto.

Na parte 4, eu falei dos irmãos de minha avó e citei que existia uma divisão entre eles, mas que falaria neste texto sobre meus bisavós.  Pois é, falando agora da história de Rita aqui no Brasil,  quando tinha entre 19 e 20 anos, Rita se casou com um homem também espanhol vindo de Málaga, chamado Antônio Navas, e com ele teve 3 filhos, Dolores, Antônio e Miguel. Em meio a tanta documentação que encontrei nas coisas da Tia Santa, estava seu atestado de óbito, ocorrido em Jaú/SP em 10/06/1906, aos 29 anos, vítima de Malária. Essa doença no Brasil atualmente leva a óbito cerca de 50 pessoas em média, mas ela se concentra quase que 100% dos casos em cidades da região amazônica do país. Nas demais regiões do Brasil, ela já foi erradicada há muitos anos, e aí existe um daqueles efeitos borboleta que permite a nossa existência.  

Antônio muito provavelmente foi picado por um mosquito que levou a sua morte, deixando Rita viúva, que dois anos depois se casou com Francisco que tinha chegado no Brasil há 4 anos, e que tiveram dentre seus 6 filhos, minha avó Ozenia. 

Se interessar por genealogia nos faz refletir muito sobre quanta coisa precisou acontecer no passado pra você existir, ou será que estaria aqui escrevendo esse texto se Antônio não tivesse contraído essa doença?

Meu pai gostava muito de sua avó Rita, dizia que ela sempre fazia mantecal, um doce típico da Espanha e que adorava ouvir sua voz com sotaque carregado da Espanha, meu pai sempre dizia que queria muito conhecer Málaga, pois ouvia sua avó falar muito sobre sua cidade. Infelizmente ele não teve essa oportunidade e eu tenho certeza que a próxima vez que eu pegar um avião pra sair do Brasil, será pra ter Málaga como destino final. 
Foi Rita quem comprou o jazigo perpétuo da família no cemitério da Quarta Parada em São Paulo, na época conhecido como cemitério do Brás, segundo disse minha tia Santa, ela comprou pra enterrar meu bisavô Francisco. Rita faleceu no hospital do Tatuapé, na Capital Paulista, vítima de insuficiência cardíaca em 17/08/1964 aos 75 anos. 
Rita foi uma das pessoas da minha família que infelizmente não conheci, mas que mais ouvi falar.

sábado, 6 de janeiro de 2024

As Curiosidades Da Minha Genealogia Pt4


Na parte 4 ainda na árvore do meu pai, falo da minha avó e seus 8 irmãos. Na verdade eram 9, uma delas faleceu com alguns meses de vida, minha Tia Santa mencionou que a chamavam de Nica.

Há uma divisão entre os 9 irmãos, mas que falarei no texto sobre meus bisavós, então começarei pelos mais velhos, e que infelizmente não os conheci.

Dolores, não tenho as datas de nascimento e óbito de Tia Dolores, mas por dedução de outros documentos, e por saber que ela era a mais velha, ela nasceu entre 1907 e 1908, e faleceu no final dos anos 60. Tia Santa tinha uma caixa cheia de fotos que infelizmente parte delas se perderam no tempo, ou está com alguém em algum lugar. Mas me lembro de na infância ver uma foto de Tia Dolores muito nova, ela lembrava bastante minha Tia Santa nessa foto. Lembro vagamente se seu marido, Ivo, que faleceu nos anos 90, conheci pelo menos 3 filhos do casal. Uma era a Cida, que ia pelo menos uma vez por mês visitar suas tias, que tinham quase a mesma idade que ela.

Tico, se chamava Antônio, mas todos os chamavam de Tico, meu pai sempre falava que gostava muito de seu Tio Tico, ele nasceu em Itapuí/SP em 1909 e faleceu em 1971. Teve 8 filhos com Caetana, lembro de ouvir muito o nome deles na casa da minha avó, mas nunca conheci ou não lembro de ter conhecido algum filho deles. 

Miguel, nasceu em 1914, em Jaú/SP, eu não lembro dele, mas sei que morreu no final dos anos 80, ele é um dos que aparecem nessa foto, está agachado de camisa Rosa. Sei que foi casado e se separou, teve filho, mas não sei dizer quantos.

João, na foto está em pé, de camisa branca, era o mais alto da família. Não tenho sua data de nascimento, mas creio que seja entre 1920 e 1921, faleceu em 1985, eu tinha 1 ano de idade, infelizmente não tenho memórias dele, mas assim como falei de minha bisavó Ana, sei que ele me conheceu. Era casado com minha Tia Alaide, que está ao seu lado esquerdo, da Tia Alaide eu lembro muito bem, o casal teve 3 filhos. Meu pai dizia que o Tio João era o cara mais engraçado da família, todos os primos que conviveram com ele dizem a mesma coisa, era uma pessoa super divertida. Uma pena ter morrido antes de que eu pudesse ter alguma memória dele.

José, tio Zé não tá na foto, mas eu o conheci, nasceu em 1919 e faleceu em 1992. Algumas fotos dele quando jovem, pareciam com o ator Charlton Heston, casou com Maria e tiveram 4 filhos, não conheci tia Maria, mas eles tinham uma fazenda em Guaratinguetá que acabou ficando pro meu tio Zé, e seus filhos. Fui muito na minha infância nessa fazenda. Me lembro um pouco de o ver andando a cavalo de chapéu. Mas infelizmente a memória mais nítida que tenho dele é nas vezes em que íamos lhe visitar numa casa de repouso. Ele já não tinha muita mobilidade, lembro que íamos tia Santa, Tia Luzia e minha avó, ele fazia questão de me cumprimentar, lembro que mesmo deitado, levantava a mão pra eu lhe cumprimentar. Uma vez que eu não fui com elas, Tia Santa me disse que ele perguntou porque eu não tinha ido, se na próxima visita eu iria. Acho que ele foi a primeira pessoa que me lembro bem de quando faleceu, até o velório e enterro. 

Isabel está na foto entre meu tio João e minha avó na ponta, nasceu em 1925 e faleceu em 1982, infelizmente não a conheci. Foi casada com Adelino, um cara muito gente boa, São Paulino, tinha uma ótima relação com meu pai. Teve 3 filhos, essa foto foi na garagem de sua casa, que ficava em frente a casa de minha avó e da Tia Santa. Meus primos por parte dela eram bem ligados a nós, sempre me dei muito bem com eles, mas dela mesma, só relatos de sua personalidade e as fotos que lembram bastante a minha avó.

Santa, Ozenia e Luzia, falo aqui das 3 ao mesmo tempo, pois elas eram inseparáveis, pelo menos era assim desde que me conheço por gente. 

Tia Santa na foto está agachada ao lado do Tio Miguel. Se chamava na verdade Fuensanta, nasceu em Jaú em 1923 e faleceu em 2013. Não se casou, nem teve filhos, trabalhou 30 anos na fábrica Alpargatas e viveu sua vida inteira com suas irmãs.

Eu sempre vi a Tia Santa como uma mentora, alguém que tinha resposta pra tudo, que era uma espécie de líder na família. Mesmo já com mais de 70 anos, subia a ladeira da rua que morava diversas vezes ao dia, só parava a noite pra dormir. A casa em que elas moravam era dividida, no fundo moravam meus avós e na frente morava minha tia. Eu passava todas as minhas férias escolares e meus finais de semana lá. Meus amigos eram na grande maioria daquela rua, então é como se eu morasse também naquela casa. Mas a casa da frente era maior e eu dormia numa cama do lado da cama dela, e muitas histórias que sei sobre a nossa família, foi minha tia Santa que contava. Ela tinha um apego muito forte em suas irmãs, eram de fato inseparávei, e por ser a mais velha das três, era uma espécie de líder, pelo menos eu sempre vi dessa forma. Foi a última a morrer, claramente triste por não ter mais suas irmãs e seus contemporâneos com ela, foi embora aos 90 anos por falência renal.

Tia luzia na foto está atrás da tia Alaíde, no canto oposto da minha avó. Nasceu em Avaí/SP em 1930. Ela era sorridente e alegre, lembro bem de sempre a ver feliz, falava bastante também. Ela se casou com Manoel, argentino, que conheci já numa idade avançada, mas lembro bem dele, gente boa demais, tiveram 3 filhos. Ela morava em frente à escola que estudei por 10 anos, e todas as festas de família eram lá, comemorações de aniversários de qualquer uma delas eram feitas na casa da Tia Luzia. No início dos anos 2000 ela teve uns problemas de saúde e não podia ficar sozinha ou fazer coisas do dia a dia sozinha, então deixou sua casa e foi morar com Tia Santa e minha avó. Uma lembrança marcante da tia Luzia era a fé em Deus que ela tinha e ela não tinha nenhum dúvida sobre vida após a morte, a vi várias vezes falando sobre isso. Morreu em 2006 de câncer, sofria com muitas dores, coincidentemente ficou internada no mesmo período que meu avô faleceu e morreram da mesma doença no mesmo ano. Há quem acredite ou não mas há duas situações sobre esse tema de vida após a morte que posso contar aqui sobre a Tia Luzia. Uma delas é que no período em que estava internada,  seu filho Odair e Tia Santa foram lhe visitar e ela estava deitada na cama olhando pra um ponto onde não tinha nada e conversava com meu Tio João, tia Santa disse que parecia mesmo um diálogo. Céticos podem dizer que era apenas um delírio, uma alucinação de um quadro de doença avançado. Mas nessa vida, nós acreditamos no que queremos e eu prefiro acreditar que Tia Luzia naquele ponto, já estava sendo recebida por seus entes queridos de um outro plano. Lembro que no seu velório, eu conversei com a Tia Santa e ela me disse que rezava todos os dias pra Deus fazer alguma coisa que lhe tirasse daquele sofrimento, que ela não aguentava mais ver dona Luzia sofrendo com aquelas dores. 

Todos chamavam minha avó de Iracema, mas ela se chamava Ozenia, a explicação que ouvi um dia era que sua mãe, lhe chamava de Cema e suas irmãs faziam o mesmo, as pessoas associaram o nome Cema, diminutivo de Iracema, e foi aí que dona Ozenia foi conhecida a vida inteira como Iracema.
Minha avó Ozenia ou Iracema na foto está na ponta, do lado de sua irmã Isabel, que era a sua cara. Nasceu em Avaí, em 1927, faleceu em 2009. Se casou com meu avô Joaquim em 1957, tiveram um único filho, meu Pai Eduardo. Eu criança, nunca entendi o motivo de minha avó ser tão apegada na gente, ela naturalmente era uma pessoa muito carinhosa, muito doce, mas com meu pai, com meu irmão e comigo era diferente, ela fazia absolutamente tudo que podia pra nos ver feliz, sabia todos os nossos gostos, fazia na cozinha as coisas que mais gostávamos. Criava situações pra que tivéssemos o máximo de conforto e tranquilidade. Era uma dedicação fora do comum, ela escancarada seu amor por nós sem nenhuma vergonha. Acho que desde que se casou, não trabalhou mais, então sua vida era de total dedicação ao marido, irmãs, filho e netos. Ela torcia e acompanhava futebol e o São Paulo mais do que meu avô. A felicidade nossa era a felicidade dela. Pouco depois de fazer 82 anos, ela adoeceu, problemas respiratórios, infecção pulmonar... passou 90 dias num leito do hospital Incor. Íamos visitá-la semanalmente, sempre revezávamos, mas sempre tinha alguém em todas os dias de visita. Em uma dessa foi que aconteceu a segunda situação de vida após a morte, com minha Tia Luzia, que citei há pouco. Numa dessas visitas, minha tia Santa e eu chegamos lá e ela abriu um sorriso e falou com um pouco de dificuldade, mas nítido: "A Ia(forma que sempre chamou minha Tia Luiza) acabou de sair daqui". Tia Luzia já tinha falecido há 3 anos. Eu apenas sorri e olhei pra Tia Santa. Tia Santa no auge de sua sabedoria respondeu de forma bem serena olhando nos seus olhos: "Se ela estava aqui, ela vai voltar daqui a pouco." Minha avó acenou com a cabeça concordando. Será que era um sonho e ela confundiu com a realidade, ou será que a Tia Luzia estava com ela esse tempo?
Numa dessas visitas eu fui sozinho, ela se esforçava pra conversar, eu sempre esperei pra falar com o médico depois da visita e ele falou que ela tinha melhorado, que se continuasse evoluído, poderia ter alta em uma semana. Falei pra ela isso, ela tinha ficado feliz. Mas o médico tinha me alertado que paciente em UTI costuma ter altos e baixos, e que o quadro dela pela idade avançada era muito delicado. Nesse dia o caminho do hospital até o metrô eu fui chorando, há meses eu via minha avó, uma das pessoas que mais se dedicou a mim e minha família não podia levantar da cama, não podia comer nada, não podia sequer beber água. Que caralho que minha avó teria feito pra sofrer tanto daquele jeito? Ao mesmo tempo, aquela situação da minha avó, me fazia afastar a revolta que sentia da morte repentina do meu pai. Ali eu me perguntava se eu aguentaria ver meu pai numa situação parecida, o que era menos pior, morrer na casa dos 40, de repente, sem sofrimento, mas perdendo a oportunidade de aproveitar tanta coisa, ou na casa dos 80 sofrendo terrivelmente daquele jeito. Mãe e filho que se amavam tanto, tiveram um destino bem diferente. Eu só me arrependo naquela época de não ter agradecido minha avó por tudo. Hoje eu me arrependo muito de não ter dito ao menos Obrigado por toda dedicação dela à todos nós, em uma dessas visitas, infelizmente isso não passou pela minha cabeça na época. 
Pra não deixar curioso quem leu até aqui, a criança da foto é a Gisele, neta de minha Tia Izabel, filha do meu primo Hélio, também já falecido. Infelizmente a pandemia levou a Gisele no final de 2020 com quarenta e poucos anos. Era uma prima que gostava muito, que sempre esteve por perto.

Todos os 9 irmãos foram enterrados no cemitério da Quarta Parada em São Paulo, no jazigo perpétuo da família. Que todos estejam em paz.

Minha hérnia de Disco

Há alguns meses, senti uma dor nas costas, comecei a tomar um analgésico, que fazia a dor passar por um tempo, mas ela voltava. ...