domingo, 6 de agosto de 2023

Porque meu sonho de morar em Dublin se esfarelou

 


Assim como muitos brasileiros que não acreditam mais no próprio país, fiz um planejamento de ir morar fora, a intenção era de fechar um intercâmbio e tentar ficar o máximo de tempo possível fora.

De todos os países que aceitam estrangeiros para intercâmbio, a Irlanda era disparada a mais atrativa, pouca burocracia, valores mais baixos, muitas opções de escolas, e permissão do governo para trabalhar durante o período deste intercâmbio.

Além de tudo isso, a localização geográfica era muito próxima aos demais países da Europa, uma Eurotrip morando por lá, seria muito acessível.


Fato é que eu assistia uns quatro canais de youtube diariamente, lia vários blogs de intercambistas, sites e redes sociais só sobre o intercâmbio na Irlanda.

Fui a várias palestras, e eventos de intercâmbio, conversei com representantes das empresas que fazem pacotes nestes eventos e tinha todo um planejamento para me aventurar na ilha da esmeralda.

Em 2017 tinha ido para a Europa como turista, fiquei uma semana em Londres e uma semana em Roma. Ainda vou falar neste blog o que achei de cada lugar que passei.

Mas em 2018 eu quis ver de perto. Novamente fui pra Europa, fiquei uma semana em Londres novamente e outra semana em Dublin.




Era Abril de 2018, cheguei em Dublin por volta das 14:00, como o transporte ainda era confuso de como ir do aeroporto até o hotel, preferi pegar um táxi. O motorista não parava de falar, então tinha que prestar muita atenção pra entender o que ele estava dizendo e não me atentava aos lugares que passava.

O hotel era ótimo, bem maior do que o que fiquei em Londres, depois a noite descobri que ficava ao lado de uma balada. Na época tinha uma amiga que morava em Dublin, trocamos mensagens e marcamos de nos encontrarmos no dia seguinte.

Quando saí do hotel pra finalmente conhecer a cidade, vi que iria andar bastante, ouvia a todo momento o barulho do trem que circulava pela cidade, conhecido como Luas, levava uns 10 minutos andando do hotel até o centro onde tinha o Spire e a região do Temple Bar.

Spire

Temple Bar

Uma coisa que percebi com poucos minutos andando por Dublin, era a quantidade de jovens que via por lá, pessoal na faixa dos vinte anos, eu ali já estava com 34 e também ouvia muita gente falando português, de fato, é uma cidade que tem muitos brasileiros.

No dia que encontrei essa minha amiga, nós fomos na fábrica da Guinnes, lugar muito legal de conhecer, enorme, com ambientes que  mostravam não só o passo a passo de fazer a cerveja, mas também contava como uma espécie de museu, que mostrava a história da empresa desde o início.

Sei que a encontrei em três dos oito dias que fiquei por lá, em um deles, fomos a um ambiente que era uma espécie de balada pra todas as idades, logo na entrada era um ambiente só com pessoas mais velhas, idosos sentados á mesa comendo, bebendo e conversando. Atrás desse ambiente, desci uma escada e tinha um ambiente com pessoas mais jovens, na faixa dos quase trinta anos, um som ambiente com as pessoas conversando e bebendo de pé. E atrás deste ambiente tinha uma balada daquelas que são bem populares por aqui, música alta, luzes coloridas, e jovens dançando. Achei tudo isso bem diferente, no mesmo local, diversão pra todas as idades.

Outra coisa que me lembro bem é que acordava com som das gaivotas, não sei qual era exatamente a espécie, mas certeza que são as mais barulhentas que já vi. Além disso, fui preparado pra pegar chuva, pois ouvia que Dublin de fato é a terra da garoa, que chovia quase todos os dias. Mas dos 8 dias que fiquei por lá, só levei chuva em um e foi bem rápido, não durou 5 minutos.




Fui embora de Dubln com uma boa impressão, uma cidade compacta, parecida com Londres, que tinha toda estrutura necessária pra estudar e trabalhar.

Mas afinal, por que não rolou? Três coisas, a primeira é que não fui demitido como achei que seria, o valor necessário pra fazer este intercâmbio, viria de uma provável demissão que não aconteceu. 

Segunda coisa, apesar do bom índice de IDH, Dublin peca até hoje no que se refere a segurança e o motivo é muito bizarro. Os guardas por lá não andam armados, lembro de estar num Macdonalds e vi dois guardas sentados conversando, pareciam mais aqueles funcionários da Eletropaulo, do que policiais. O problema é que lá existem o que chamam de knackers, que são adolescentes que odeiam imigrantes, batem nos entregadores de comida (que geralmente são imigrantes) sabendo que o governo sequer vai investigar a situação, dias atrás houve até um protestos pelas ruas de Dublin, devido a mais casos de violência contra imigrantes, um desses casos foi um americano idoso que foi passar férias e foi espancado quase indo á óbito.

A terceira, é mais complexa de todas. Dublin facilitou muito o processo de recebimento de estudantes do mundo inteiro. Fomentou muito sua economia, sendo ainda a segunda maior da Europa. 

Mas nem Dublin e nem as cidades próximas, se prepararam pra receber tanta gente. Dublin, Cork, Galwey, Sligo sofrem uma crise imobiliária interminável. Além do conforto zero, morando num ambiente com 10 ou mais pessoas, alguns estudantes acham moradias pra dormir na cozinha e o pior é o valor enorme pago pra isso. Sabendo da crise, os donos destas poucas casas, se aproveitam e jogam o valor pro alto. É uma crise que parece não ter fim, o governo não está construindo novos locais pra receber essa enorme demanda, mesmo com empregos disponíveis,a demanda de moradia tem afastado os imigrantes de lá.

Essa minha amiga que morava lá há anos, foi embora pra Barcelona, recentemente, até o criador do portal E-Dublin foi embora pros Eua. E os principais youtubers que ficaram conhecidos por isso, já alertam que este não é o momento de ir pra Irlanda. 


Não só Dublin, mas qualquer lugar da Irlanda neste momento enfrentando este Caos, que podem transformar seu sonho do intercâmbio em um pesadelo.




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