sexta-feira, 10 de novembro de 2023

O Tenebroso Mundo das Redes Sociais


Nasci em 84, então fui criança e adolescente nos anos 90. Nessa época a tecnologia de ponta era a TV 29 polegadas, canais a Cabo estavam em alta, rádio ainda era bastante usado por pessoas de todas as idades.

Fui ter telefone em casa, lá no final dos anos 90, como morava relativamente perto da casa da minha avó, passava todas as férias escolares e finais de semana lá, pois a rua era cheia de pessoas com a mesma idade que a minha, até tinha amigos na escola, mas meu convívio era muito melhor com o pessoal de lá do que os amigos da escola.

Lembro bem que a única forma de interação social era gritar o nome da pessoa pra ela sair na garagem pra conversar, no máximo lá no final dos anos 90, era possível usar o telefone fixo pra ligar na casa de quem você queria que saísse pra rua. 

Pois é, faço parte da última geração que chegou na vida adulta sem Internet. 

Quando tinha uns 16 ou 17 anos, meu pai me fez fazer um curso de informática na Data Byte, foi a primeira vez que tive acesso à isso. Achei o máximo entrar nos sites da época, aprendi no Windows 2000 o Pacote Office da época. Mas pra mim, a Internet era algo secundário, entrava num site ou outro, mas logo queria usar o Wordart pra imprimir alguma capa de trabalho pra escola. Na época jamais imaginaria que começaria ali um caminho sem volta, um pontapé inicial num mundo totalmente diferente que começaria em pouco tempo.

Passado uns anos, lembro que meu pai lá no inicio dos anos 2000 já tinha comprado um Pentuim III 500, tinha em casa um PC com Internet discada. Meu irmão costumava usar bastante aquilo, eu até acessava, mas não tinha paciência pra conectar e cansava rápido. Lembro que ele usava o ICQ, eu via e achava engraçado, mas não ligava muito.

Depois de uns 3 ou 4 anos, comecei acessar Internet no trabalho e foi assim que comecei a interagir socialmente de alguma forma. Entrava em fóruns e até em salas de bate-papo. 

Mas tudo pra passar o tempo, nada que me fizesse ficar muito tempo naquilo.

Um tempinho depois, compramos em casa um computador melhor, pra instalar banda larga, copiar CDs de música, DVD de filmes e etc.

Um dia no trabalho um amigo que sentava de frente pra mim, falou que era pra todos nós ali criarmos um perfil no Orkut, que era algo que você colocava sua foto e procurava pessoas que você conhece para se tornar seu amigo naquela plataforma.

Achei isso o máximo, criei o Orkut, e entrava nos amigos dos amigos e adicionava quem eu conhecia, interagia com desconhecidos em comunidades, e paralelamente surgia o MSN que era um bate-papo personalizado, adicionava e falava só com quem você tinha o contato de e-mail. Foi aí que tudo começou, passava meu tempo livre interagindo com meus contatos na frente do computador. 

Nessa época, minha escrita melhorou bastante, apesar de sempre ter tido facilidade na linguagem escrita, é inegável que aquele momento aprimorou muito meu vocabulário. 

Demorei alguns anos pra finalmente fazer um curso universitário que me fizesse concluí-lo. Lembro que no primeiro ano de faculdade, o Orkut me ajudou muito a conhecer algumas mulheres que estudavam na mesma faculdade que a minha, e conheci várias, tendo relacionamento rápido com muitas delas. Foi uma época legal, sem o Orkut, acho que jamais conheceria nenhuma delas.

Antes mesmo de finalizar o curso, o Facebook engoliu o Orkut e MSN. Ninguém mais usava Orkut e MSN no último semestre, era só Facebook. 

De fato, o Facebook tinha um visual mais bonito e um bate-papo igual ao MSN, então dominou o ambiente de redes sociais de vez.

Acho que lá pra 2013 tive meu primeiro Smartphone e assim não tinha mais tanta necessidade de acessar um PC pra ver meu Facebook e e-mail.

O que eu não sabia é que algo que já me viciava no computador, passou a tomar conta da minha rotina, agora na tela do meu celular.

E aí vieram Instagram e WhatsApp, esse último que acabou com o SMS. 

Instagram passou a ser mais usado após criar os stories e hoje em dia, o Facebook é uma rede social usada mais pela velha guarda, ou pra quem ainda interage bastante em grupos, no caso o que eram as comunidades na época jurássica do Orkut.  Ah, já ia esquecendo, lá já época do Orkut, criei o Twitter, que tenho até hoje mas pelo menos nos meus contatos, ninguém nunca usou essa rede, eu acesso até hoje mais pra ver a interação de famosos, costumo Twittar pro vento, pois sei que quase ninguém lê o que posto por lá.

Um tempo atrás suspeitei que estava sendo hackeado, recebi um email de tentativa de alteração de senha se não me engano em uma das redes. Fiquei desesperado, mantive contato com um amigo que trabalha em TI, além de um grupo no WhatsApp também com amigos que me orientaram a mudar a senha. Já tinha a autenticação dupla, mas também instalei um APP que é uma espécie de token, onde todas as redes sociais que tenho, passam a exigir o código desse app.

Depois de um tempo me perguntei qual motivo de ter me sentido daquela forma, achando que estavam me roubando, um sentimento como se alguém tivesse entrado em casa e roubado algo.

Foi nesse momento que percebi o quanto as redes sociais fazem mal, dominam suas atitudes,  te joga pra baixo muitas vezes ao ver pessoas levando uma vida super feliz que você gostaria de viver.

Na verdade, sabemos que as pessoas postam em suas redes coisas que querem que os outros vejam, jamais postam seus problemas, suas ansiedades, suas frustrações, seus erros, suas falhas de caráter.

Depois de quase 20 anos que criei meu primeiro perfil numa rede social, refleti que o quão benéfico seria dar um delete em todas elas. E que sair das redes me traria muito mais benefícios do que o contrário. 

Sem contar o quanto vivemos com medo de termos nosso smartphone roubado, o inferno que é depois não só pra ter outro,mas pra recuperar tudo que estava nele.

Tenho cada vez mais pena de quem não conheceu o mundo sem essa realidade terrível.

É um vício, ainda não consegui tomar essa decisão, mas de fato, já tenho a mentalidade de que se a pessoa não precisa disso pra trabalhar, viver uma vida sem redes sociais deve ser muito melhor.  Com certeza era no passado, e imagino que quem fez isso recentemente, não deve ter se arrependido. Algumas voltam, como numa recaída do vício, mas quem saiu e não voltou mais, deve se sentir muito melhor.






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