As vezes sinto vontade de escrever. Escrever qualquer coisa, o que tiver vontade. Estava lendo um livro e parei pra começar a escrever esse texto. Escrever sobre saudade… saudades de uma época que fui feliz, que não tinha angústias, remorsos, arrependimentos ou sensação de tempo desperdiçado.
Escrever sobre saudades de pessoas que perdi o contato, mas que estão por aí, vivendo suas respectivas vidas.
Escrever sobre saudades de quem já partiu. De pessoas que jamais imaginei sentir falta e que hoje sinto uma dor enorme em não ter mais por perto, nem pra um mísero boa noite, uma visita num almoço de domingo, assistir juntos a um jogo de futebol, um filme, uma reportagem do fantástico, um café numa tarde qualquer.
Saudades daquilo que hoje é impossível. Saudade de algo tão corriqueiro de outrora e que hoje não existe mais.O que fazer com isso? Por que conviver com a saudade é algo tão difícil?
Me resta escrever, embora não estanque o sentimento, serve ao menos como um desabafo. Um grito no deserto, que ecoa pelo ar, sem que alguém possa ouvir.
Por que não escrever sobre momentos felizes? Sobre situações que empolgam? Sobre crises de riso. Sobre emoções que não entristecem?
As vezes a necessidade de escrever é essa. Seja pelo que for. Escrever por escrever é o que importa. Assim como o Padre Mackenzie, que escreveu o sermão na morte de Eleanor Rigby, e que ninguém ouviu, aqui faço o mesmo… “escrevo mais para me ler, do que para ser lido”. Já dizia minha querida amiga Raquel.
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