sábado, 16 de dezembro de 2023

As Curiosidades da minha Genealogia - Pt1


O primeiro texto que fiz aqui pra este blog, foi um resumo sobre minha genealogia, os meus antepassados que fizeram parte do início da minha vida e uma reflexão sobre tudo aquilo.
Resolvi começar a escrever sobre curiosidades de cada ramo da àrvore, e o que descobri até agora sobre esse pouco mais de um ano que comecei a pesquisar sobre a história da minha família.

Essa Parte 1, será sobre o lado paterno do meu pai.

Antes de começar, apenas menciono que a foto é meramente ilustrativa, originalmente em Preto & Branco, fiz a coloração dela em um desses aplicativos de melhorias de fotos. Foi tirada em meados dos anos 60, meu pai aparentemente com uns 8 ou 9 anos, meu avô e minha avó, o local, provavelmente foi na casa onde moravam nessa época, na zona leste de São Paulo.

O mais longevo até agora que tenho conhecimento é o senhor Messias Tobias Rosa, alguns documentos o mencionam como Messias Tobias Amante Rosa, não encontrei ainda nenhum documento específico dele, mas ele é citado em inúmeros documentos de seus descendentes. Messias é meu Tetravô, nascido no estado de Minas Gerais, (ainda não localizei de qual cidade) provavelmente entre de 1850 e 1860. Foi casado com Maria Honória De Jesus, ela também é citada em documentos como nascida no Estado de Minas Gerais. Vou citar algumas vezes aqui, um vídeo que tenho do meu bisavô contando brevemente sobre seus antepassados, e se não diz nada sobre Messias, pelo menos cita sua avó, Maria Honória, que está enterrada na cidade de Espírito Santo do Turvo, no interior do estado de São Paulo. Voltando ao Messias, tenho muita vontade de saber mais coisas sobre ele, seus sobrenomes são de origem portuguesa, não sou historiador, mas nessa época quem era nascido no estado de Minas Gerais, tinha seus antepassados, portugueses que viveram no estado extraindo ouro e mandando pra Portugal, se estamos falando de uma pessoa nascida em 1860, podemos contar umas três ou quatro gerações no máximo pra encontrar algum português. Mas por enquanto, a origem e o paradeiro final de Messias segue sendo um mistério. 

O filho do casal citado acima é o Antônio Tobias Rosa, é bem provável que ele não era filho único, mas por enquanto não encontrei evidências concretas de irmãos, Antônio era meu Trisavô, nascido em Araraquara, estado de São Paulo, em 13/06/1882, já me deixa uma curiosidade sobre essa época, de forma geral isso aconteceu muito nas gerações desse período na minha família, era comum mudarem de cidade durante a vida, como disse no início, seus pais eram mineiros  e se Antônio nasceu em Araraquara, saíram de Minas para tentar a vida em São Paulo, que na época, de fato era um lugar com cidades que davam mais oportunidades de trabalho na área de lavoura.
Voltando ao Antônio, foi casado com Elisa Dias Corrêa, a árvore de dona Elisa é a mais longeva que tenho por enquanto, então falarei dela em outro artigo, mas ela está enterrada no mesmo cemitério que minha tataravó, em Espírito Santo do Turvo, segundo meu bisavô, no mesmo vídeo já citado. 
Antônio e Elisa tiveram 12 filhos. Antônio ficou viúvo de Elisa em 1951, ele tinha 69 anos e curiosamente se casou de novo, em setembro daquele mesmo ano, com Mariana Rita de Jesus. Não há registros de filhos do casal. 
Antônio morreu em 14/08/1973, aos 91 anos, de Senilidade, na cidade de Rondon, estado do Paraná. No atestado de óbito, é mencionado que Antônio era viúvo, apesar de não citar se a referência era sobre Elisa ou se Mariana, sua segunda esposa, também já era falecida. Para finalizar sobre Antônio, como queria ver uma foto dele, saber como ele era, se ele parecia com alguém que conheci. Talvez ainda existam fotos por aí, em alguma caixa de coisas antigas, esquecida pelo tempo.

Dos doze filhos de Antônio, um deles era o senhor Laurindo Rosa Corrêa, meu bisavô, nascido em 13/12/1908, na cidade de Santa Bárbara, interior de São Paulo. Laurindo se casou em meados dos anos 30, com Ana Theodora Da Silva, numa cidadezinha do interior de São Paulo chamada Óleo, o casal teve 7 filhos, apesar de terem todos os filhos em Óleo, eles viveram na cidade de Domélia, um povoado menor ainda, onde tenho alguns parentes que ainda residem por lá. Infelizmente não conheci minha bisavó Ana, pois ela morreu em 1984, meses depois que eu nasci. Mesmo viúvo, Laurindo continuou morando em Domélia, não sei se trabalhou nisso a vida inteira, mas ele era barbeiro e fez isso até pouco tempo antes de morrer. Ele tinha um jeito arrastado e muito calmo de falar com sotaque do interior de São Paulo. Domélia lá nos anos 90 era uma cidade muito diferente do que eu estava acostumado, lembro de passar feriados e finais de semana lá, o povoado vivia numa cidade menor que o bairro que eu morava, e era a porta de casa aberta de frente pra rua, vizinhos que sempre paravam pra conversar, rua já asfaltada, mas casa bem antiga, com chão de madeira, insetos voando, passarinhos cantando, sapos, pererecas, rãs, grilos e cigarras fazendo seus barulhos sem parar e o quintal dos fundos com uma horta. Era ali que vivia o Laurindo que conheci, não sei como foi sua vida na época de casado e seus filhos pequenos, mas o meu idoso bisavô era um velhinho conversador e uma calmaria enorme. Laurindo faleceu em 28/09/1997,com 89 anos, passou mal e bateu a cabeça de forma violenta contra o chão, ficou uns dias internado, mas não resistiu. Seu atestado de óbito dá como causa da morte, fratura e traumatismo craniano. Vô Laurindo, como costumávamos lhe chamar, está enterrado ao lado de sua esposa na cidade de Domélia.

Dos sete filhos do casal Laurindo e Ana, o mais velho era Joaquim Rosa da Silva, meu Avô. Assim como seus seis irmãos, seu Joaquim nasceu na cidade do Óleo, em 01/04/1934. Pois é, ele de fato nasceu no dia da mentira. No primeiro texto deste blog, que citei acima, até que falei bastante sobre meu avô, mas vou tentar detalhar um pouco mais aqui. Uma pena que por tanto tempo de convivência que tive com meu avô, não tinha curiosidades sobre sua vida quando jovem, hoje tenho bastante essa curiosidade em saber o que fez o jovem Joaquim ir embora do interior de São Paulo e se aventurar na Capital. Seu pai era santista, mas ele era São Paulino, em algum documento que li sobre ele, menciona que era mecânico, sei que se casou com Ozenia Reyes Lopes em 26/01/1957, na cidade de São Paulo. 

O Joaquim que me lembro já desde o final dos anos 80 era taxista, dirigia um chevette branco, seu ponto ficava no bairro do Belém, na zona leste de São Paulo. E foi isso até quando ele e o seu carro aguentaram. 

Como mencionei lá no outro texto, cheguei a levar umas broncas dele quando criança, até adolescente, acho que também levei depois de adulto. Mas ele apesar desse lado turrão, era na maioria das vezes (com seus dois netos) calmo, conversador e até engraçado. Mas não era assim com seu filho único, meu pai me contava o quão ruim ele foi. Meu pai nunca foi muito bom na escola e meu avô lhe batia com o que via na sua frente quando o chamava pra estudar tabuada por exemplo, sempre que meu pai errava, ele apanhava de alguma forma. Fora que nunca foi um pai amoroso, nunca o levava pra lugares que os seus primos iam, lugares que crianças gostavam de ir. A relação adulta dos dois era formal, eles conversavam sobre coisas cotidianas, mas claramente existia uma barreira entre eles, amor de fato, meu pai só teve de sua mãe e tias. Eu não duvido de uma só vírgula do que meu pai relatava, seu Joaquim parecia mesmo ter esse passado obscuro, apesar de comigo isso nunca ter acontecido. Na minha fase final de adolescência e inicio de vida adulta meu avô sempre tentava me incentivar, tentava fazer mais parte da minha vida. Vou terminar esse artigo falando do meu pai, mas pra finalizar sobre meu avô, preciso falar sobre a morte repentina do meu pai. A vida inteira, passei vendo meu avô sendo um homem forte, comia feito um cavalo, parecia até viciado em comer, e apesar de nunca o ver bêbado, bebia regularmente, sempre tinha lá sua cachaça e groselha debaixo da pia. Até o dia do meu pai morrer, eu nunca tinha visto meu avô doente, nem gripado. Mas o velho desmoronou depois disso. Certa vez estava andando pela praça da Sé e desmaiou, disse que só se lembrava de pessoas em volta, com ele no chão sendo socorrido pelos populares. Emagreceu pelo menos uns vinte quilos, entrou num quadro de anemia e foi a um médico particular,  que o diagnosticou com câncer no fígado. Mas esse período foi extremamente angustiante pra ele, pois o lado físico dele não era o pior, mas ele claramente estava amargurado, seu psicológico após meu pai morrer estava destruído, ele via eu ou meu irmão chegar em sua casa e começava a chorar, muitas vezes tentava segurar o choro, mas nos via e se emocionava. O que exatamente ele sentia quando nos via, eu nunca tive coragem de perguntar, mas parecia que ele tinha um arrependimento muito grande de não ter sido um bom pai e ao nos ver, automaticamente se lembrava de seu filho. Vô Joaquim morreu em 08/07/2006, aos 72 anos, seu final foi bem triste, o câncer epático terminal lhe fazia vomitar bile, nem podia mais comer e seus últimos dias, já não reconhecia ninguém. Ainda vou escrever neste blog sobre o que penso a respeito de pós-morte, mas eu espero muito que depois de todo esse sofrimento, meu avô tenha encontrado a paz depois que morreu. Seu Joaquim foi enterrado no cemitério da Quarta Parada, na zona Leste de São Paulo.

O casal Joaquim e Ozenia tiveram um único filho, Eduardo Rosa, meu Pai.
Pretendo fazer um artigo único sobre meu pai em algum momento, sempre que tento escrever sobre ele, me emociono a ponto de não conseguir continuar. Tentarei aqui mencionar sobre sua vida, sem entrar no lado do herói amoroso que ele é pra mim até hoje. 
Meu pai nasceu em São Paulo, Capital, em março de 1958, foi criado com seus pais e minha tia Santa, que também falarei dela por aqui em algum momento, fora os vários tios, tias e primos mais velhos que tinha dos dois lados. Apesar de meu avô ser São Paulino, ele dizia que se tornou São Paulino, muito mais pela influência de seu tio Adelino, que era casado com sua tia Izabel, irmã da minha avó. Seus três primos eram mais ou menos da mesma idade que ele e foi aí que se tornou São Paulino doente. Em 1979, conseguiu um emprego no Banco Itaú, como escriturário, e só saiu de lá no dia que morreu. No mesmo ano se casou com minha mãe, dona Fátima Moraes, também devo falar mais dela neste blog em algum momento. O casal teve dois filhos, meu irmão Tiago,nascido em 1980 e eu que nasci em 1984.

Seu Eduardo passava a vida na rotina de trabalhar de segunda à sexta, voltar pra casa, ficar com a família, e no final de semana ir à casa de seus pais, e da Tia Santa. Seu hobby era o carro que tinha, sempre teve carros bem conservados, o que chamava mais atenção era um Opala 81, lindo demais, mas que vendeu no final dos anos 90, pois já queria um carro mais novo.

Meu pai era um ser iluminado, um cara na dele, discreto, mas ao mesmo tempo prestativo, muito carismático e engraçado. Sempre antenado em tecnologia, de forma amadora, gostava muito de se atualizar nas coisas que comprava, como aparelho de som, vídeo cassete, televisão, DVD, filmadora. Alias, nesse aspecto ele sem saber era um visionário, em todas as festas de família levava sua filmadora pra registrar tudo, até em dias normais, pedia pra eu gravar o final de semana que íamos pra casa dos meus avós. Vejo esses vídeos e sinto uma saudade gigantesca da época que todos estavam vivos, nem fazia ideia da falta que sentiria de cada uma das pessoas que ali aparecem. 
Sempre odiou álcool, mas tinha um vício forte em cigarros, disse certa vez que começou a fumar escondido aos 14 anos. Ele não comprava maços de cigarro, comprava caixas, geralmente da marca Galaxy, onde eram vendidas em camelôs no centro da cidade que vinham do Paraguai. Era um fumante assíduo.

Em 1996 sofreu um infarto, dizia que vinha tendo umas dores no peito e num sábado ao chegarmos na casa da minha avó, disse que já na garagem sentiu uma dor forte no peito. Almoçou com essa dor e disse para minha avó que estava sentindo dores no peito e na nuca.

Nem meu avô e nem eu estávamos na hora em que isso aconteceu, meu avô estava trabalhando e eu estava pra rua, meus amigos sempre foram ali da rua que minha avó morava e eu estava na quadra jogando bola. A alternativa da minha avó e da minha tia que estavam com ele foi correr na casa da minha prima Dyma, que morava um pouco pra baixo da casa delas e que já dirigia.

Ela levou meu pai até o pronto socorro Cristo Rei, no bairro do Carrão, na zona leste de São Paulo, e ali foi constatado que estava sofrendo um infarto. Meu pai relatou depois, que ao ser medicado, ele sentiu sua visão diminuir, sua respiração cada vez mais ofegante e até a audição quase tampada por completo e que ali percebeu que seria o seu fim. Mas aos poucos começou a recuperar os sentidos.  O rápido atendimento e aquela medicação, salvaram a vida do meu pai naquele momento. Ele falou com o médico sobre o que sentiu e o médico mencionou que aquilo era somente uma reação do corpo por causa da medicação, mas apesar de não ver túnel, nem espíritos, dizia que a sensação era de que estava de fato morrendo. Depois desse susto que ele e nós passamos, sua rotina mudou. Ficou um tempo afastado do trabalho, mas parou de fumar de forma imediata e passou a tomar três remédios diários. Fora isso seguiu sua vida normalmente. 

Em 2002, Seu Eduardo parecia estressado com sua rotina de trabalho, acho que aqueles 23 anos de banco estavam lhe sufocando, nunca tinha visto meu pai com tanta vontade de sair de férias, no Carnaval daquele ano, minha mãe e meu irmão foram pra praia com uns tios e primos, eu fiquei com meu pai, nós fomos no cinema assistir Efeito Colateral, um filme do Arnold Schwarzenegger, lançado poucos meses depois do 11 de setembro, com a temática parecida. Ele saiu do cinema dizendo que gostou bastante do filme e que a qualidade do som e imagem estavam muito melhores do que na época em que ele costumava ir ao cinema. Aquele feriado foi rotineiro, mas ao mesmo tempo especial pra mim. Inexplicavelmente eu quis ficar com ele em casa e não na casa da minha avó. A gente conversou muito, essa situação que mencionei sobre sua relação com meu avô, ele me disse nesse feriado. Ao mesmo tempo, ele estava estranho, parecia que ele tinha uma certa desconfiança do que ia acontecer com ele dias depois, duas coisas que posso me lembrar, é que estávamos indo almoçar na casa da minha avó e ele parou o carro e disse que ia numa loja do outro lado da rua comprar uma toalha, e antes de sair do carro sem nenhum contexto me perguntou: "-- E se eu morrer, como você vai ficar?" Eu respondi algo como "você ta louco? Você não vai morrer". Ele sorriu e antes de sair disse: "--Você precisa cortar um pouco esse cordão umbilical que tem comigo."  Na hora eu liguei o foda-se, o vi sair do carro e aumentei o rádio. 
A outra coisa foi mais intrigante ainda, não lembro bem sobre o que era o assunto, mas ele mostrou o talão de cheques que estava pra minha tia Santa, que  só tinha 3 folhas. Minha tia lhe perguntou porque ele ainda não tinha pedido um novo talão pro banco. E ele respondeu "-- Eu não, vou morrer logo, não vou precisar de cheques." Nem Tia Santa e nem eu ligamos para isso na hora, mas depois do que ocorreu, essa situação sempre era lembrada por nós. Mais uma coisa que me lembro e que corrobora para esse caso de ele de certa forma achar que ia morrer,  foi um relato de seu amigo de trabalho, Marcelo Cabelo, onde também sem o menor contexto na conversa questionou se Cabelo sabia quanto custava um caixão.
Ou seu Eduardo já vinha se sentindo mal e previa que algo de ruim com sua saúde iria acontecer, ou era algo sobrenatural que vinha sentindo, não dá pra jogar essas três situações em tempo muito próximos, nas costas da coincidência.

Na semana seguinte ao feriado de Carnaval, meu pai se sentiu mal no banco, passou uns dois dias com dores e foi ao ambulatório pedir um remédio pra dor, mediram sua pressão e mencionaram que poderia estar com algum problema,  uma secretária do banco que trabalhava com ele o levou de carro.

Dessa vez foi levado ao hospital Santa Paula, no bairro de Santana, que demorou muito tempo para atendê-lo, mas diferente da primeira vez ele se sentiu bem após a medicação, porém precisaria ficar internado para fazer um cateterismo. Não sei se cometo aqui uma injustiça, mas tenho pra mim, que ali aconteceu algum erro médico. O relato da minha mãe que estava na recepção de onde a operação ocorria, era de que os médicos corriam de um lado pro outro, nervosos, onde pareciam se justificarem por coisas que não nos relataram.

No dia 21/02/2002, seu Eduardo Rosa, meu pai, meu melhor amigo, meu herói morria, devido a sucessivas paradas cardíacas no procedimento de cateterismo. Qualquer Google que damos hoje, vemos que o procedimento de cateterismo sempre teve risco muito próximo do zero, então mesmo sem poder provar nada, creio que os médicos fizeram alguma merda que ceifou a vida dele.  Por mais que já tenha se passado quase 22 anos desse ocorrido, pra mim ainda é revoltante que meu pai tenha morrido aos 43 anos, deixando de ver tanta coisa que veio depois que ele fechou os olhos. Eu não vou aceitar nunca isso. 
Assim como meu avô, meu pai foi enterrado no cemitério Quarta Parada, no jazigo perpétuo da família.

E a parte I das curiosidades sobre minha genealogia termina por aqui, essa parte ficou longa, pois achei que deveria falar um pouco mais sobre meu pai,e a coisa mais curiosa é que nessa linhagem, Antônio, Laurindo e Joaquim, morreram ultrapassando a casa dos noventa, oitenta e setenta anos respectivamente,  só o Eduardo que morreu jovem, com 43 anos. 

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