sábado, 13 de janeiro de 2024

As Curiosidades da Minha Genealogia Pt5


Nessa parte 5, eu fecho (por enquanto) o meu lado paterno, vou falar um pouco do que sei sobre meus bisavós Francisco e Rita. Já vi fotos dos dois juntos, mas não as encontrei, então deixo as duas com eles sozinhos.

Já falei aqui sobre um dos meus antepassados, Manoel Joaquim Inglês, que provavelmente era filho de um senhor inglês. E também falei da dona Jacinta Quintina, que também é muito provável que nasceu na Itália. Mas certeza mesmo, de quem atravessou as fronteiras de seu país pra fazer a vida no Brasil, são os dois que falarei abaixo.

Começo pelo meu bisavô, Francisco Reyes Moyano, nascido em 08/01/1883 na cidade de Málaga, Espanha.
Há mais de um ano eu tento encontrar alguma informação sobre ele na Espanha, seu pai se chamava José Reyes Najarro, e sua mãe Maria Moyano Villalobos.
Conforme consta no registro de desembarque no Porto de Santos, Francisco chegou com sua mãe e duas irmãs Joana Reyes e Maria Reyes Moyano no dia 14/03/1914, ele tinha 29 anos.
Infelizmente até o momento não encontrei nada sobre elas, então como em genealogia nós trabalhamos com raciocínio lógico e dedução quando não temos ainda uma confirmação dos fatos, é provável que seu pai nessa época já era falecido e como a Espanha passava por problemas econômicos, além de uma iminente primeira Guerra Mundial à vista, a informação que minha tia Santa me falou, parece ser verdadeira, ele veio fugido da Guerra, com as pessoas que restavam de sua família. Nessa época, a história dele é similar a de vários imigrantes que chegavam no Brasil pelo porto de Santos, ficavam um tempo hospedados na hospedaria do Brás, que hoje é o Museu da Imigração, e após um determinado período era enviado a alguma cidade do interior de São Paulo pra trabalhar em alguma fazenda como lavrador.
Se levarmos em consideração que os filhos mais velhos dele com minha bisavó Rita, nasceram em Jaú, imagino que foi lá que se conheceram por volta de 1918. Vi em um documento que eles se casaram em Agudos/SP, mas a data de casamento foi ignorada. Me lembro que perguntei pra minha tia Santa como o pai delas tinha falecido. Ela disse que seu pai faleceu em casa, com seus filhos ao redor da cama. 
O atestado de óbito que tenho aqui, indica que Francisco faleceu em 26/09/1946, aos 63 anos, de uma infecção intestinal. Queria ter perguntado mais sobre ele para minhas tias e minha avó, mas infelizmente, elas já não estão mais por aqui e os primos mais velhos que estão por aqui, não o conheceram. Fiz uma foto de IA pra ilustrar como seu Francisco deveria ser lá em 1914 quando chegou a Brasil.

Agora falando sobre dona Rita Lopes Bravo Moyano, nascida em 1889, infelizmente não tenho a data exata, mas também foi na cidade de Málaga, Espanha.

Diferente de seu marido, não localizei em qual Navio ela desembarcou, mas seu documento de permissão de estadia no Brasil, menciona que ela desembarcou em 15/09/1905 no Porto do Rio de Janeiro, com sua irmã Maria Lopes Bravo Grado. Assim que localizei esse cartão de minha bisavó, na sequência estava o cartão de Maria, com a mesma data, o sobrenome Grado é italiano e é muito provável que sua irmã já veio de lá casada com um homem possivelmente italiano com esse sobrenome. Mas isso não passa de uma dedução ainda. Elas eram filhas de Antônio Lopes González  e Joana Bravo Plaça. 
Sei que minha Tia Santa contou uma vez que eles deixaram a Espanha pois tinham um irmão com a idade de servir o exército e somado a condição econômica ruim do país, eles fugiram da Espanha pro Brasil. Não encontrei nada sobre esse irmão e nem de seus pais, se vieram juntos ou se mandaram Rita com 16 anos esse irmão com 18 e essa outra irmã possivelmente já casada para tentar a vida no Brasil sem seus pais. É uma história que ainda quero fechar o quebra-cabeça, pois ainda tenho mais perguntas do que respostas. E mais uma vez lamento o fato de ter tido tantos anos pra perguntar essas coisas pra minha avó e minhas tias e não me interessava por esse assunto.

Na parte 4, eu falei dos irmãos de minha avó e citei que existia uma divisão entre eles, mas que falaria neste texto sobre meus bisavós.  Pois é, falando agora da história de Rita aqui no Brasil,  quando tinha entre 19 e 20 anos, Rita se casou com um homem também espanhol vindo de Málaga, chamado Antônio Navas, e com ele teve 3 filhos, Dolores, Antônio e Miguel. Em meio a tanta documentação que encontrei nas coisas da Tia Santa, estava seu atestado de óbito, ocorrido em Jaú/SP em 10/06/1906, aos 29 anos, vítima de Malária. Essa doença no Brasil atualmente leva a óbito cerca de 50 pessoas em média, mas ela se concentra quase que 100% dos casos em cidades da região amazônica do país. Nas demais regiões do Brasil, ela já foi erradicada há muitos anos, e aí existe um daqueles efeitos borboleta que permite a nossa existência.  

Antônio muito provavelmente foi picado por um mosquito que levou a sua morte, deixando Rita viúva, que dois anos depois se casou com Francisco que tinha chegado no Brasil há 4 anos, e que tiveram dentre seus 6 filhos, minha avó Ozenia. 

Se interessar por genealogia nos faz refletir muito sobre quanta coisa precisou acontecer no passado pra você existir, ou será que estaria aqui escrevendo esse texto se Antônio não tivesse contraído essa doença?

Meu pai gostava muito de sua avó Rita, dizia que ela sempre fazia mantecal, um doce típico da Espanha e que adorava ouvir sua voz com sotaque carregado da Espanha, meu pai sempre dizia que queria muito conhecer Málaga, pois ouvia sua avó falar muito sobre sua cidade. Infelizmente ele não teve essa oportunidade e eu tenho certeza que a próxima vez que eu pegar um avião pra sair do Brasil, será pra ter Málaga como destino final. 
Foi Rita quem comprou o jazigo perpétuo da família no cemitério da Quarta Parada em São Paulo, na época conhecido como cemitério do Brás, segundo disse minha tia Santa, ela comprou pra enterrar meu bisavô Francisco. Rita faleceu no hospital do Tatuapé, na Capital Paulista, vítima de insuficiência cardíaca em 17/08/1964 aos 75 anos. 
Rita foi uma das pessoas da minha família que infelizmente não conheci, mas que mais ouvi falar.

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