Nessa parte vou detalhar o que sei sobre a minha genealogia do lado materno. Como disse no primeiro texto que escrevi neste Blog, graças à Deus minha mãe é viva, e geralmente falo nesses textos só de quem já morreu, mas de qualquer forma, minha mãe é a pessoa mais importante que tenho na vida, é uma guerreira, incansável, que faz o que for preciso pra ver seus filhos bem e felizes. Em um outro texto somente sobre ela posso detalhar melhor.
Mas falarei sobre o lado do meu avô Marcílio Moraes, nascido em Jundiaí em 21/10/ 1911. Minhas lembranças sobre ele são de Flashs, essa foto aí por exemplo, eu lembro de pedir pra ver o radinho que ele sempre segurava e ele deu na minha mão. Lembro dele em casa, sentado no sofá assistindo televisão enquanto eu estava no chão com algum brinquedo. Ele faleceu em 9/6/1989, eu tinha 5 anos, uma pena ter tão pouca memória dele, sei que ele queria muito que eu fosse corinthiano, chegou a comprar uma camisa do Corinthians infantil e pediu pra minha mãe vestir em mim, existia uma foto disso, mas nunca mais vi essa foto por aqui. É óbvio que meu pai jamais permitiria que um filho dele não fosse São Paulino, mas pelo que meu pai dizia, meu avô gostava muito de mim e do meu irmão.
Seu Marcílio se casou em 1933 com minha avó Olivia, tiveram 12 filhos, 2 morreram recém-nascidos, então eles eram em 10 irmãos, os dois mais velhos já faleceram, Arlindo e Alípio. Tio Arlindo era um negrão alto, parecido com minha avó e os irmãos dela. Tio Alípio já era mais baixo, lembrava um pouco mais o meu avô, com a pele mais clara, lembro que fui em 2013 à Jaboticabal, um ano antes dele morrer, e ele já estava muito velhinho, lembrava muito meu avô Marcílio. Ainda sobre a vida pós casamento, eles todos moravam em Jaboticabal/SP , meu avô trabalhava há muitos anos na Usina Santa Adélia, mas o que consegui juntar das histórias que me contaram, é que o marido de uma tia minha teria montado um açougue na Capital e convenceu meus avós no início dos anos 60 a se mudarem pra São Paulo. Arlindo e Alípio que já eram casados na época, permaneceram em Jaboticabal, enquanto o restante da família migrou pra São Paulo. Minha mãe me contou que esse tal projeto de açougue era uma bela furada, Tia Rita tempos depois foi embora pra São Carlos/SP com esse meu tio, enquanto os demais continuaram na Capital. Meu avô acabou trabalhando na construção civil, chegou a trabalhar em várias construções de pontes e viadutos que estão por aqui até hoje. Quando a idade não lhe permitia mais fazer esse tipo de serviço, passou a trabalhar como sorveteiro, daqueles que empurrava um carrinho pela rua e saía vendendo. Tempos depois, com seus filhos todos casados, meu Tio Arlindo construiu uma casa pros meus avós em Jaboticabal, e ele morou por lá o resto da vida, vindo vez ou outra pra São Paulo.
Seu Marcílio era filho de Leopoldo Moraes e Benedita da Conceição. O casal teve três filhos. Um deles era o Jorge Moraes, nascido em 15/07/1910, em Guariba/SP, ainda não encontrei informações sobre seu óbito, mas creio que tenha falecido antes de meu avô. Minha mãe se lembra bem dele, dizia que Jorge tinha em sua casa um pé de Jaboticaba e ela e seus irmãos subiam na árvore pra colher as frutas. Jorge foi casado com Maria Pires e tiveram quatro filhos. Quando criança, conheci uma delas, Maria Brahimas, em uma dessas viagens que fazíamos à Jaboticabal nos anos 90. Como não tenho foto de Jorge, criei uma em IA, apenas para ilustrar o texto.
O outro irmão era Salvador Moraes, nascido em 1908, em Jaboticabal/SP. Até começar a pesquisar minha àrvore genealógica, eu não sabia da existência dele. Um dia em uma dessas pesquisas no FS, encontro um atestado de óbito com seu nome, em 30/07/1929, em Jaboticabal, com o nome exatamente igual aos pais de seu Marcílio e o seu sobrenome também chamava a atenção. Pela data, era muito claro que se tratava de um irmão de meu avô, falecido com 21 anos, e a causa da morte chamava mais atenção: Peritonite por ferimento à bala. Mostrei o documento pra minha mãe, que não sabia nada sobre Salvador, mas se lembrava que seu pai tinha sim um irmão mais velho que já era falecido, na hora concluímos que poderia ter sido uma briga de bar, ou Salvador era um fora da lei, como no atestado de óbito cita que ele era casado, poderia ser até briga por talaricagem que resultou nessa tragédia.
Mas como aquilo me deixou curioso, um dia numa conversa meu tio Athayde, um dos mais velhos que está vivo entre os 10 irmãos, sem que eu falasse sobre Salvador, ele contou que meu avô tinha um irmão mais velho que faleceu muito jovem vítima de um disparo acidental de uma espingarda. Na época Salvador caçava coelhos nos matagais de Jaboticabal, e ao limpar a arma, um tiro acidental acertou sua barriga. No óbito, dá a entender que ele chegou a ser socorrido e faleceu no hospital. Que morte idiota, já era casado, não encontrei informações sobre sua esposa e se tinha filhos. Mas também criei uma imagem em IA pra deixar registrada a memória de Salvador.
O que sei sobre Benedita e Leopoldo?
É o elo mais fraco da minha árvore esse do meu avô Marcílio, um dos últimos avanços que tive, foi sobre os pais deles, Benedita Da Conceição era filha de Joaquim Ferreira e Maria Ferreira. Minha mãe que é uma das mais novas entre os irmãos não a conheceu, mas meu tio Athayde se lembra bem dela, já idosa. Lembro de um dia ver minha avó Olivia contar pra alguém na casa da minha tia, o quanto dona Benedita lhe maltravata. Lembro bem das palavras da Vó Olivia dizendo que dona Benedita dizia as seguintes palavras: " --Meu filho namorou com hungarenha, e agora tá casado com essa macaca." Lembro de ouvir minha avó contando com um tom cômico sobre essas nojentas injúrias raciais que recebia. Falarei da minha avó Olívia numa outra parte, mas mesmo sem dizer nada, quando ouvi minha avó contando isso, pensei, "Nossa, que velha filha da puta, essa mãe do vô Marcílio."
Minha mãe contou que apesar de não se lembrar dela, um dia quando criança ainda em Jaboticabal, estava com minha avó e ela apontou um velhinho que era espanhol, e minha avó Olivia disse que era o segundo marido de dona Benedita. Ela teve outros dois filhos com esse senhor, ainda não sei nada sobre esses outros dois irmãos por parte de mãe que meu avô teve. Na verdade sei de um deles, minha avó o visitava em um manicômio nos anos 70, aqui em São Paulo, não encontrei nada documental até agora,mas o chamavam de Batista. Voltando a dona Benedita, como em genealogia, ao não termos os dados corretos, fazemos raciocínio lógico e deduções, é bem provável que ela tenha falecido em meados dos anos 50.
E Leopoldo? Aí é pior ainda, apesar de ter encontrado um documento que mencionava o nome de seus pais, (Antônio Firmino Moraes e Anna Raphael) não tenho até o momento informações de seu nascimento e óbito. Seu nascimento deve ter sido por volta de 1885, perguntei ao meu tio Athayde se ele se lembrava de ouvir algo sobre Leopoldo e ele disse que não. Tudo sobre Leopoldo é na base da dedução, é um quebra-cabeça incompleto. No atestado de óbito de seu filho Salvador, está descrito que seus pais Benedita e Leopoldo residiam em Jaboticabal/SP em 1929. Ou seja, Leopoldo era vivo quando Salvador morreu. Na certidão de casamento de meu avô Marcilio e minha avó Olivia, consta a informação que sua mãe Benedita da Conceição residia em Jaboticabal/SP e que Leopoldo Moraes já era falecido.
Ou seja, pela lógica dos dois documentos, Leopoldo morreu entre 1929 e 1933. Saber mais sobre Leopoldo é um dos motivos de continuar pesquisando sobre a história de meus ancestrais. Será que ele já era velho quando conheceu Benedita e morreu já numa idade avançada? Ou será que morreu jovem como meu pai? Por enquanto é uma pergunta sem resposta. Deixo abaixo uma foto que criei em IA, de Leopoldo e Benedita pra finalizar esse texto.
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