sábado, 20 de abril de 2024

O que meus sonhos querem me dizer?


Esse texto é quase uma extensão do anterior, é como se fosse um capítulo seguinte.


Eu venho de uma família católica, meu irmão e eu fizemos catecismo na Igreja Belo Ramo, na Vila Matilde. Minha mãe não perde uma missa das 19:00 na rede Vida, meu pai era católico, meus avós também. 


Quando meu pai morreu, frequentei um tempo centros espíritas, ia na Federação Espírita lá no centro de SP, assistir palestras e tomar passes. Depois de um tempo, acabei me afastando, mas tive um certo conhecimento da doutrina espírita.

Mas esse texto, não é sobre religião, é mais sobre no que acreditar.


No texto anterior, mencionei que após o falecimento de minha querida amiga Raquel aos 37 anos, o sentimento de descrença em alguma justiça divina veio com força. Do mesmo jeito que tinha vindo lá em 2002, quando meu pai morreu.


Em um dos textos aqui neste Blog sobre as curiosidades da minha genealogia, eu detalho como foi a sequência de fatos que levou meu pai à óbito. Meu pai sofreu um infarto e morreu fazendo cateterismo. Foi bem de repente, ele era jovem, 43 anos, era meu Porto Seguro, lidar com aquilo quando tinha acabado de fazer 18 anos, foi uma experiência horrorosa. Ali eu conhecia meu lado cético, acreditar que foi melhor assim porque Deus quis? Go to the hell!! Esse era meu pensamento nas primeiras semanas. 


A similaridade de sentimentos de revolta de ver alguém querido, tão jovem e que eu admirava muito, ter morrido chegou na mesma proporção. Volto a dizer o que disse lá no texto anterior, não há comparação de importância na minha vida dessas duas pessoas, bem longe disso. Mas há essa situação de incredulidade em tudo que rege qualquer doutrina religiosa, onde mencionam que a morte tenha algum lado positivo nos dois casos. 


Antes de entrar no assunto principal, não entendo nada de signos,mas a Raquel me dizia que por sermos ambos de aquário, tínhamos gostos parecidos.. E também entendo muito menos de numerologia, mas é curioso que meu pai tenha morrido no dia 21 de fevereiro, dias depois do aniversário da Raquel. E a Raquel morreu em 23 de março, um dia depois do aniversário do meu pai. 

O que isso quer dizer? Pra mim, absolutamente nada, mas talvez a numerologia mostre algum sentido nisso onde eu esteja envolvido de alguma forma.


Agora sim, falando do que realmente quero falar, voltando ao período pós-morte de meu pai, algumas semanas depois, naquele turbilhão de tristeza e revolta com Deus,eu tive um sonho. Sonhei que dava de cara com meu pai, ele estava vestido exatamente como se vestia pra ir trabalhar… camisa social azul escura, calça social, lembro exatamente dessa cena, ele estava na frente de uma parede branca, apenas olhou pra mim com um olhar de que vai ficar tudo bem, além de tirar uma mão do bolso da calça e fazer o sinal de positivo com o polegar. Nesse sonho eu tinha a total noção de que ele tinha morrido, que estava num ambiente diferente do meu, apenas pra me dar esse recado.


Alguns anos depois, tive um sonho até mais impressionante que esse. Estava no sofá da sala da casa da minha avó assistindo TV, meu pai estava numa poltrona de frente também assistindo TV, do nada ele se levanta e eu digo pra ele: “-Poxa, você já vai? Faz tanto tempo que a gente não se vê.”  Ele já de pé me responde: “ Eu estou sempre com você.” Ele se vira de costas segue em direção a cozinha, no segundo seguinte desta cena, o despertador do celular toca pra eu ir trabalhar, eu desperto e fico impressionado com esse sonho, que jamais esqueci.


Umas duas semanas após a notícia do falecimento da Quelzinha, eu ainda no auge desse sentimento descrito no início, sonhei com ela. Sonhei que estava numa sala de aula, em frente a lousa, ao lado do professor, parecia que ia fazer alguma apresentação de algum trabalho de faculdade, sei lá… o professor pede pra alguém da sala mandar um link, pra eu abrir no meu celular, eu na hora olho pro fundo da sala, e vejo ela, dona Raquel sorrindo com a mão levantada, eu me dirijo a minha mesa onde estava o celular, e no celular vejo a mensagem dela, que era mais ou menos assim: “ Segue algo do seu interesse, mesmo que você não esteja interessado.” Eu dou risada, olho pra ela e ela do outro lado da sala retribuí o olhar, linda como sempre foi, sorrindo, cabelo até os ombros, usando uma blusinha vermelha, eu vou até ela e lhe dou um abraço… ela me abraça mantendo o belo sorriso no rosto… sigo pra frente da sala e a porra do despertador do celular toca… eu desperto e fico pensando naquele sonho o dia todo.


Cara, eu nunca me lembro dos meus sonhos com tamanho detalhe… geralmente me lembro de alguns pesadelos onde estou correndo, fugindo de algo ou sendo perseguido por alguém. 


Agora há um conflito de interpretações e crenças em tudo isso. Qualquer especialista em sonhos me diria que naquele primeiro sonho com meu pai e este com a Raquel, aconteceram pelo fato do meu cérebro de alguma forma estar tentando me dizer que preciso mudar meus pensamentos, sair dessa angústia, indicando que em ambos os casos, eles estão bem de certa forma. O segundo sonho já não tem esse contexto, pois já tinham se passado alguns anos do ocorrido e eu não estava pensando na morte de meu pai nos dias anteriores.


O lado espírita ou espiritual, pode me dizer que ambos encontraram essa forma de tentar me acalmar, me tirar um pouco da tristeza e revolta, mostrando que em ambos os casos eles estão em paz.


E eu acredito em que nessa situação? Meu cérebro foi pilantra a ponto de criar uma história fofa pra me fazer virar a chave? Se sim, ele sabia perfeitamente a hora exata que eu iria despertar com o toque do celular, pois foi segundos depois em ambos os casos.


Ou acredito que tanto meu pai, quanto Raquel lá de onde estejam, talvez por sentirem minha angústia em suas respectivas partidas, resolveram aparecer no meu sonho de forma bem clara, pra eu parar com essa porra de angústia e seguir o caralho da minha vida? 


Meu lado cético grita nessas horas, mas também não gosto de acreditar em coincidências, por que diabos em ambas as situações o sonho acabou exatamente no ponto onde o relógio despertou? Justamente pra que eu não me esquecesse nenhum detalhe desses sonhos? 


E sabe outra coincidência desses casos que me perturba? Eu não pude me despedir. Na situação da Raquel, eu poderia ter tentado mais contato, me atentado aos sinais que ela mandava em seus últimos posts… cheguei a dizer pra ela muita coisa lá quando ela descobriu a doença, mas queria muito ter lhe dito algo antes dela partir, infelizmente não pude.

Já no caso do Seu Eduardo, eu sequer o vi depois dele ser internado, não quis, preferi ir pra aula à noite, sem ter a menor ideia que no dia seguinte ele iria morrer numa cama de hospital fazendo cateterismo. 

Cara, como a dor de não poder voltar no tempo e me despedir deles me corrói. Será que é por isso que tive esses sonhos? Será que meu cérebro deu um jeito de me dar essa despedida? Ou será que eles lá de seus respectivos planos precisaram me dar essa despedida pra descansarem em paz? Será que esse meu martírio está impedindo eles de descansarem em paz?


Perguntas, perguntas e mais perguntas.. esses sonhos de fato tentaram me dizer algo muito claro, mas qual foi o ponto de partida deles? Racional ou Espiritual?







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